O vereador José Carlos Nedel (PP) sustenta que avenidas como a Perimetral e a Getúlio Vargas, assim como as estradas da Capital não podem ser enquadradas na iniciativa. Ele frisou que o projeto prevê, nessas áreas, um estudo urbanístico para realizar qualquer corte de árvore em perímetro urbano. Segundo o vereador, o processo pode levar até seis meses, "engessando" a cidade e, sobretudo as obras da construção civil.
Já o vereador Moesch ponderou que já é necessária uma autorização da Secretaria do Meio Ambiente (Smam) para se fazer o corte de vegetais. Colega de partido de Nedel, ele lembrou que todas as grandes avenidas já foram retiradas do projeto através de emendas.
Porto Alegre soma 15 vias declaradas Áreas de Uso Especial. Entre elas está a rua Gonçalo de Carvalho, eleita em blogs internacionais, como a “mais bonita do mundo”. A sócia-fundadora da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (Sbau), bióloga Maria do Carmo Conceição Sanchotene, salientou que é necessário muito conhecimento técnico para construir os túneis verdes. Ela salientou que o projeto reconhece esse trabalho.
O vereador Nedel insiste, ainda assim, que o salto de 15 áreas declaradas para 70 pode prejudicar a atuação da Smam. Conforme ele, existem dois laudos apontando que não há estrutura para realizar o serviço de manejo e fiscalização. No entanto, o chefe de gabinete da pasta, André Carús (PMDB), relatou que a Secretaria já trata de todas as árvores da cidade e que a inclusão de túneis verdes na lei não muda esse trabalho.
O secretário de Planejamento de Porto Alegre, Ricardo Gothe, avaliou que o projeto é benéfico para a cidade. Citando a dicotomia típica dos gaúchos, pediu diálogo para resolver o impasse. Salientou que uma cidade não é uma fotografia, mas sim, um filme. Gothe disse ser possível que a cidade se desenvolva a ponto de receber um evento como a Copa do Mundo de 2014, mas sem deixar de respeitar o meio ambiente.
O vereador Idenir Cecchim (PMDB) também falou na bancada. O parlamentar vai defender, na reunião de líderes desta quarta-feira, que o projeto entre em pauta. Ele salientou que a audiência pública retirou todas as dúvidas que tinha sobre o documento. Beto Moesch projeta, no entanto, que a matéria só vá a plenário na semana que vem.