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Câmara de Vereadores de SM está ocupada há mais de 40 horas

Justiça ouve sobreviventes da tragédia de Santa Maria

Manifestantes seguem acampados na Câmara de Vereadores de Santa Maria
Manifestantes seguem acampados na Câmara de Vereadores de Santa Maria Foto : Mauro Schaefer
Manifestantes seguem acampados na Câmara de Vereadores de Santa Maria há mais de 40 horas. O grupo reivindica o afastamento de três vereadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as mortes no incêndio da boate Kiss. O grupo também exige a exoneração do procurador jurídico da Casa, Robson Zinn.

O principal motivo da ocupação foi o vazamento da gravação de uma conversa entre dois vereadores que integram a CPI e um assessor. No áudio, com mais de 42 minutos, a presidente da comissão, Maria de Lourdes Castro (PMDB), o vice, Tavores Fernandes (DEM), e o assessor, que seria o autor da gravação, tece críticas à mudança de posicionamento da vereadora Sandra Rebelato (PP), relatora da CPI. Na gravação, o trio diz que a investigação não pode chegar ao secretário de Relações de Governo e Comunicação, Giovani Mânica, nem ao prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer.

Os vereadores analisaram o conteúdo do áudio com os líderes da manifestação e anunciaram que o caso será examinado pela Comissão de Ética. O advogado da Associação dos Familiares Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss (AVTSM), Jonas Stecca, pediu uma cópia do áudio, já repassado à Polícia Civil e ao Ministério Público.

O secretário municipal de Relações de Governo e Comunicação de Santa Maria, Giovani Mânica, emitiu uma nota à imprensa ainda na tarde dessa terça-feira. No comunicado, Mânica disse que irá ingressar com representação na Câmara para investigar a falta de decoro para cassação do parlamentar e prometeu "ir até as últimas conseqüências para apurar os fatos".

Justiça ouve sobreviventes da tragédia de Santa Maria

Na manhã desta quinta-feira são retomados os depoimentos de testemunhas e sobreviventes da tragédia de Santa Maria. Quatro réus são julgados pelas 242 mortes decorrentes do incêndio na boate Kiss, em 27 de janeiro. Treze pessoas devem ser ouvidas hoje: quatro pela manhã e nove à tarde.

O acesso ao auditório do Tribunal do Júri é permitido por apenas 30 minutos antes do início dos trabalhos, conduzidos pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Santa Maria, Ulysses Fonseca Louzada. A série de oitivas começou ontem e prossegue nesta sexta-feira. Novos depoimentos também estão marcados para 9 e10 de julho.
Os quatro réus são os proprietários da casa noturna Elissando Spohr e Mauro Hoffmann e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão e Marcelo Jesus dos Santos. Eles respondem por tentativa de homicídio e homicídio qualificado.

Tragédia completa cinco meses

O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.

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