Uma das empresas que serão chamadas forneceu notas fiscais ao IRG cobrando R$ 28,00 por uma refeição. Os vereadores também pretendem ouvir o Instituto Nacional América (INA), que firmou contrato de R$ 480 mil com o Instituto Ronaldinho. A estratégia do Executivo municipal é discutir o assunto nas comissões permanentes da Câmara para evitar a criação de uma CPI, proposta pelo líder da oposição, Mauro Pinheiro (PT). O petista já recolheu 11 das 12 assinaturas necessárias para a instalação da comissão de inquérito.
“Como é um assunto educacional e esportivo, todos os fatos estão relacionados à Cece”, justificou o presidente da Comissão de Educação, Professor Garcia (PMDB), que integra a base aliada. O peemedebista disse que pretende enviar ofício a Pinheiro, pedindo que o proponente da CPI especifique quais as suas dúvidas com relação às empresas que serão ouvidas no próximo dia 6. “O que queremos, na realidade, é que tudo fique claro. Não podemos ter dúvida”, disse Garcia.
Mauro Pinheiro cobra CPI
Para Mauro Pinheiro, ouvir as empresas na Comissão de Educação não é suficiente. “No meu momento de fazer perguntas, tinha quatro ou cinco vereadores da situação a minha volta gritando”, reclamou, referindo-se à reunião realizada na última terça-feira, com a presença de diretores do IRG.
O petista, que analisou o relatório entregue pelo instituto aos vereadores, disse que o documento mais parece um “portfólio” do que uma prestação de contas. “Contei o número de alunos que passaram e não bate com o número de refeições da nota fiscal do mesmo fim de semana”, salientou. Caso a CPI seja instalada, Pinheiro não descarta chamar Ronaldinho para depor sobre o tema. “Se tiver necessidade, vamos chamar. O Assis com certeza, porque ele assina a documentação como presidente.”
Vereador da base do governo, DJ Cassiá (PTB) também começou a estudar o relatório. “Ainda estou analisando, com a ajuda de um jurista e de um contador, mas não posso me manifestar até tirar minhas dúvidas.” Waldir Canal (PRB), que não assinou o requerimento da CPI, pretende tomar conhecimento de toda a documentação antes de tomar uma decisão sobre o tema. “Tive acesso ao convênio com o Ministério da Justiça. De início, quero me apropriar de mais informações.”
Relatório de atividades
Composto por dois volumes, o relatório de atividades do programa Jogos Gaúchos de Verão, executado pelo Instituto Ronaldinho Gaúcho, está à disposição dos vereadores que integram a Comissão de Educação da Câmara de Porto Alegre. O convênio entre Ministério da Justiça, prefeitura e IRG, no valor de R$ 2,3 milhões, foi efetivado no dia 18 de setembro de 2008 com o objetivo de “investir em jovens de comunidades vulneráveis” por meio de atividades esportivas e cursos.
A maior parte da documentação - que inclui mais de 10 CDs - é formada por fichas de avaliação preenchidas, relação de nomes dos participantes e fotografias de atividades. Não há informações sobre a terceirização de serviços.
Ao final do documento, o IRG avalia que a realização do projeto Jogos Gaúchos de Verão “foi um grande acontecimento”.
Apesar da avaliação positiva, o relatório faz algumas ressalvas. “A permanência prevista dos jovens somente um final de semana não possibilita mudanças significativas, mas somente a oportunidade de vivência de uma experiência única em suas vidas”, diz o texto. O IRG explica ainda que teve dificuldades com a articulação junto às “representações locais, as quais foram indicadas pelo grupo de trabalho composto por servidores da prefeitura, pois, em várias situações, apesar de demonstrarem interesse em colaborar para que os jovens participassem do projeto, muitas vezes falou mobilização”.