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Caminhada da Prematuridade chama atenção para o tema

Dezenas de pais e familiares participaram da mobilização no Parque da Redenção

Com camisetas, balões e cataventos na cor roxa, participantes saíram do Monumento Expedicionário
Com camisetas, balões e cataventos na cor roxa, participantes saíram do Monumento Expedicionário Foto : Alina Souza
Seiscentas e quarenta gramas e 26 semanas. Esse foi o peso e o período de gestação que a filha de Márcia Marquezan e Jean Jesus dos Santos, Isabela, nasceu. Hoje com 3 anos e 12 quilos, os pais celebram o período de vitória da filha. Isso porque, além de nascer prematura, ela ainda ficou 115 dias na UTI Neonatal. “Foi um período de difícil. Cada dia era uma vitória nova. Mas é preciso acreditar que tudo dará certo”, comentou Márcia, lembrando ainda do apoio dos profissionais que atuaram no atendimento, aos quais chama de “anjos”.

E com o objetivo de dar suporte e chamar a atenção para esse tema que nesta quarta-feira foi realizada a II Caminhada da Prematuridade RS, no Parque da Redenção. Com camisetas, balões e cataventos na cor roxa, dezenas de pais e familiares participaram da mobilização, que começou no Monumento Expedicionário e passou pelo chafariz. Mesmo o sol forte não desanimou os presentes.

A caminhada é promovida pela ONG Prematuridade.com (Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros). Segundo a vice-diretora executiva da ONG, Aline Hennemann, o trabalho começou com um blog, onde eram reunidas informações para os pais e familiares que passavam por essa situação. Além disso, segundo ela, o país é o 10º em número de partos prematuros, em que cada 10 bebês que nascem, um é prematuro.

Aline lembrou que atualmente a grande batalha no país é para garantir a ampliação da licença maternidade para mães que tiveram os seus bebês prematuros. “É um problema social muito grande. Porque a mãe precisa deixar o trabalho de lado e dar uma atenção maior ao seu filho”, disse. Atualmente, a licença de afastamento do trabalho é de 120 dias e, segundo a PEC (Projeto de Emenda à Constituição) que está no Senado, passaria para 240 dias.

Outra mobilização é em relação ao estímulo à doação de leite materno. Isso porque, normalmente, quando os recém-nascidos ficam na UTI, precisam de leite e a mãe nem sempre tem a quantidade disponível. No Brasil, segundo a ONG, conta com 218 bancos de leite e mais 138 pontos de coleta. Porém, a frequência é baixa, comprometendo os estoques. “O leite materno é muito importante por diminuir os riscos de infecção, melhora do sistema imunológico dos prematuros, por exemplo”, completou.

Ela destacou ainda a relevância dos cuidados e do envolvido dos familiares. “Cada criança tem o seu tempo e deve ser visto de maneira individual. E o apoio aos pais é muito importante neste período”, explicou. O mesmo ocorre nas instituições médicas, que dão o atendimento aos recém-nascidos.