Como parte das comemorações do 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, a Associação Negra de Cultura realizou neste sábado em Porto Alegre a "Caminhada Negra". A atividade reuniu integrantes do Poder Judiciário que participaram de um passeio guiado por historiador e um antropólogo onde conheceram lugares importantes da história da população negra na Capital. Eles estiveram no Mercado Público de Porto Alegre, no Largo Glênio Peres onde conheceram o painel Afrobrasileiro - uma obra realizada pela entidade Angola Janga. Segundo Maria Cristina Ferreira dos Santos, conselheira da Associação Negra de Cultura, os integrantes do Judiciário receberam informações sobre o Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre. O museu foi um demanda do Centro de Referência Afrobrasileiro (CRAB). O antropólogo Iosvaldyr Carvalho Bittencourt Júnior e o historiador Pedro Vargas destacaram que o museu busca visibilizar a comunidade negra com a construção de obras de arte no espaço público de Porto Alegre.
Conforme Iosvaldyr Carvalho, o passeio contou um pouco da história do negro em Porto Alegre “desconstruindo” sua invisibilidade na Capital. São histórias que os livros e o turismo tradicional não contam. "O Mercado Público, por exemplo, é um marco religioso e das pessoas negras", ressaltou. A caminhada encerrou na praça Brigadeiro Sampaio, nas proximidades da Usina do Gasômetro. O roteiro foi realizado pela Associação Negra de Cultura (ANdC) e foi organizado por Pedro Vargas, graduado em história e em administração, mestre em planejamento urbano e regional, um dos idealizadores do museu de Percurso do Negro, autor do livro “A Relação Patrimonial na Restauração de Bens Culturais- o mercado de Porto Alegre e os caminhos invisíveis do negro”. A atividade teve a presença do professor Iosvaldyr Carvalho Bittencourt Junior, jornalista, antropólogo, especialista em Literatura Brasileira; e Maria Cristina Ferreira dos Santos, presidente da ODABÁ - Associação de Afroempreendedorismo, líder da Causa da Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil.
Os juízes do Poder Judiciário de nove cidades brasileiras tiveram a oportunidade de resgatar a história e a cultura afrodiaspórica do país no sábado, dia da Consciência Negra, durante a "Caminhada Negra", passeio guiado coordenado pela plataforma de afroturismo Guia Negro, que passou por lugares importantes da história da população negra em cada cidade. As cidades onde o evento aconteceu foi em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Olinda (Pernambuco), São Luís (Maranhão), Ouro Preto (Minas Gerais), Campo Grande, Curitiba e Porto Alegre. "A caminhada pretende resgatar a história e fortalecer a nossa memória em relação às contribuições do povo negro para o nosso país, apagadas em decorrência do racismo", afirmou Flávia Martins de Carvalho, diretora de Promoção da Igualdade Racial da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).
O Guia Negro organiza roteiros desde 2018 com o intuito de fortalecer a memória dos brasileiros à respeito das contribuições do povo negro para o país. O roteiro construído pela plataforma propõe a visitação de locais que contam mais de cinco séculos da história do negro na formação da nação brasileira. "É importante conhecermos e enaltecermos essas narrativas com protagonismo negro. Não apenas no 20 de novembro, mas essa é uma data simbólica, de luta, em que ressaltamos nossa história e lembramos que ainda hoje a população negra é a maior parcela de mortos pela polícia da população carcerária", ressalta Guilherme Soares Dias, fundador da plataforma.