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Caminhoneiros dão trégua e estradas estão liberadas no RS

Lideranças das manifestações avaliam próximo passo até 10 de março

É incerta a manutenção da trégua dos caminhoneiros até o próximo dia 10 de março. De maneira mais cautela e quase sigilosa, algumas lideranças das manifestações, que tomaram conta do Brasil e especialmente do Rio Grande do Sul nas duas últimas semanas, trocam informações e avaliam os próximos passos. Para alguns, esse momento trégua servirá para rearticular os atos e avaliar os protestos já realizados. Há preocupação entre alguns integrantes de uma possível retaliação pelas forças policiais. Esse receio existe porque os líderes tentam se manter anônimos desde o início das manifestações. Ao mesmo tempo, há atenção para o avanço das negociações com o governo federal.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, na manhã desta quarta-feira eram registrados apenas focos de manifestação, sem bloqueios em rodovias federais. Ao todo, eram quatro os pontos mais importantes. Manifestantes estavam reunidos em Santa Maria, na BR 392, no km 350; em Soledade, na BR 386, no km 245; em Santa Rosa, na BR 472, no km 155; e em Cachoeira do Sul, BR 153, no km 388. Segundo a PRF, os pontos eram monitorados por agentes rodoviários, mas a situação era de normalidade.

Setores tentam se recuperar após protestos


Enquanto isso, os segmentos mais impactos pelas manifestações tentam se recuperar. Um deles é o de combustíveis. Durante os bloqueios, os caminhões que transportavam este tipo de carga eram os mais visados. De acordo com Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do RS (Sulpetro), 70% dos postos do Estado ficaram sem combustíveis em função da greve - que representam 2,2 mil estabelecimentos. A estimativa é de que a normalização ocorra até a próxima segunda-feira. “As companhias aumentaram ao máximo as suas frotas para recuperar os estoques. Porém, mesmo assim, sabemos que não será suficiente para normalizar tudo em 48 horas”, comentou o presidente Adão Oliveira.

Ele recordou ainda que alguns postos de combustíveis que nem chegam a ficar com o estoque cheio por muito tempo. “Há situações no Interior que já há filas de veículos para abastecer. O caminhão nem termina de despejar o combustível e boa parte já foi comercializada”, explicou ele, reconhecendo preocupação com os prejuízos dos bloqueios. A maioria das administrações dos postos ainda não conseguiu contabilizar o déficit. “A margem de lucro ocorre com base nas vendas. Sem comercialização, não haverá lucro e mais do que isso, porque a estrutura do posto segue funcionando”, alertou.