Durante o encontro foram apresentados dados que dão a dimensão das consequências das ocorrências de trânsito envolvendo crianças e adolescentes. De acordo com o sistema DataSus, do Ministério da Saúde, 40% do total das hospitalizações entre 0 e 14 anos são em função de acidentes de trânsito. Na faixa etária entre 5 e 9 anos, o número de mortes lidera, com 47% dos casos.
O presidente da Amrigs, Dirceu Rodrigues, disse que é fundamental o investimento em ações de prevenção aos acidentes, em todos os sentidos. Em relação ao trânsito, ele acredita que o maior problema esteja ligado à imprudência dos motoristas. “Se ele conhece as normas, não pode se colocar ou os outros em risco. Não há nada mais trágico do que ver vidas abreviadas”, frisou, lembrando a importância do envolvimento de diversos segmentos da sociedade na campanha. Isso porque além de tudo os acidentes geram um custo ao sistema de saúde muito grande.
Segundo o diretor do Hospital da Criança Santo Antônio, José Carlos Feliceti, é possível notar um crescimento no número de crianças que chegam para o atendimento em função das sequelas desses acidentes. Segundo ele, normalmente há necessidade de tratamentos de alta complexidade, em especial nas áreas de neurologia e traumatologia. “Em muitos casos, são sequelas que ficarão para o resto da vida. O pior é que esse tipo de situação de trauma compromete diretamente o desenvolvimento da criança e o seu convívio social”, explicou.
O diretor da Amrigs e pediatra do Hospital da Criança Santo Antônio, Alfredo Cantalice Neto, observou que nos acidentes de trânsito as crianças são apenas vítimas, já que não têm condições de evitá-los. “Acreditamos que é uma questão de educação. Não podemos comprometer o futuro dessas crianças por total imprudência ao volante”, alertou, lembrando que a adaptação de jovens com sequelas é bem mais complexa do que em adultos. O médico citou vitórias importantes nos últimos anos em relação a esse tema, como a obrigatoriedade do uso da cadeirinha para crianças no carro.