Campanha Nacional contra o sarampo tem início com baixa procura em Porto Alegre
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Campanha Nacional contra o sarampo tem início com baixa procura em Porto Alegre

Doença, que já foi considerada erradicada no Brasil, já atingiu 13 pacientes no Rio Grande do Sul neste ano

Por
Christian Bueller

Crianças de seis meses a cinco anos incompletos são alvo da primeira fase

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A primeira etapa da Campanha Nacional contra o sarampo teve início, nesta segunda-feira, com atendimento a crianças de seis meses a cinco anos incompletos, grupo considerado o mais suscetível para complicações da doença que já atingiu 13 pacientes no Rio Grande do Sul neste ano. O Dia D da iniciativa é 19 de outubro, e a imunização segue até o dia 25. Os pequenos que não têm esquema vacinal completo contra sarampo devem atualizar a caderneta ainda neste mês. A procura nos postos de Porto Alegre foi relativamente baixa no dia inicial da campanha.

Jênifer Radtke, 32 anos, não perdeu tempo. Após consulta e indicação do pediatra, aproveitou o primeiro dia e já vacinou a filha Marina, de seis meses. “Foi bem rápido, cheguei e fui atendida. Aí, já ficamos livres, né?”, diz a gerente de vendas. Ela retornará ao Posto de Saúde Santa Marta, no Centro de Porto Alegre, daqui a 90 dias para a picada de rotina aos bebês que completam nove meses de vida.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) oferecerá a vacina em todas as unidades de saúde, com horários diferenciados de atendimento (unidades de saúde, 8h às 17h; US Tristeza, Ramos, Modelo e São Carlos, das 8h às 22h; Clínica da Família, na Restinga, das 8h às 20h). A priorização do grupo até cinco anos na primeira etapa deve-se à elevada incidência da doença nesta faixa etária, em surtos registrados em 2019 no país: essas crianças apresentam maior risco de desenvolver complicações, tais como cegueira, encefalite, diarreia grave, infecções no ouvido, pneumonias e óbitos pelo sarampo.

O objetivo da campanha é interromper a circulação viral e controlar a doença no Brasil. Dos quatro óbitos registrados este ano, três foram em crianças menores de 1 ano. Nessa faixa etária, 1,8 milhão estão desprotegidas. Em novembro, a campanha entra na segunda etapa, sendo dirigida à atualização da carteira de jovens entre 20 e 29 anos. Para garantir doses suficientes, o Ministério da Saúde anunciou a compra extra de 47 milhões de unidades da tríplice viral – que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Com isso, 60 milhões de doses serão distribuídas pelo governo federal neste ano.

Para 2020, a previsão é enviar aos estados e municípios mais 65 milhões de vacinas deste tipo. “Era uma doença que estava eliminada e voltou, tivemos um retrocesso, porque é evitável com a vacina”, explica o médico da Vigilância em Saúde de Porto Alegre, Juarez Cunha. Segundo ele, trata-se de uma doença altamente contagiosa. “A cada dez pessoas suscetíveis à doença, ou seja, as que não tiveram ou as crianças que não estão com o esquema vacinal completo, nove podem adoecer”, explica.

Qualquer indivíduo que apresentar febre e manchas no corpo acompanhado de tosse, coriza ou conjuntivite deve procurar os serviços de saúde para a investigação diagnóstica, principalmente aqueles que estiveram recentemente em locais com circulação do vírus. Casos suspeitos devem ser informados imediatamente às Secretarias Municipais de Saúde ou para o Disque Vigilância, através do número 150.