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Camponesas desocupam prédio do Incra em Porto Alegre

Mulheres ligadas ao MST e ao MAB estavam acampadas no local desde a manhã da última terça-feira

Mulheres ligadas ao MST e ao MAB estavam acampadas no local desde a manhã da última terça-feira
Mulheres ligadas ao MST e ao MAB estavam acampadas no local desde a manhã da última terça-feira Foto : Samuel Maciel / CP Memória
Depois de quase três dias de acampadas no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Rio Grande do Sul, as cerca de 1,2 mil mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Movimento dos Atingidos das Barragens (MAB) desocuparam o prédio na tarde desta quinta-feira.  

As camponesas chegaram ao local na manhã da última terça-feira, Dia Internacional da Mulher, para reivindicar pautas de incentivo à produção agroecológica, crédito agrícola, políticas públicas para trabalhadoras rurais e aquisição de novas terras para assentamento. Desde a ocupação, que fez parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas, foram realizadas várias reuniões de negociação. 

O superintendente regional do Incra, Roberto Ramos, informou que há previsão de liberação de R$ 10,3 milhões para execução de 3440 novos projetos do Fomento Mulher e o comprometimento de licitar 40 novos kits para a realização de feiras no estado este ano.

De acordo com Ramos, foram assegurados R$ 497 milhões para manter os contratos de assistência técnica nas áreas de reforma agrária de todo o Brasil. Deste valor, R$ 17 milhões são para execução do programa no RS até dezembro deste ano.

Sobre a destinação de novas áreas para a reforma agrária não há muitos avanços. Ramos disse que o Instituto enfrenta dificuldades para criar assentamentos, uma vez que “ninguém quer receber em Títulos da Dívida Agrária”. Já o Estado afirma que tem disponível áreas da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa), Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) e Instituto Riograndense do Arroz (Irga) para negociação com o governo federal.

Durante as reuniões de negociação para desocupação do local, o superintendente do Incra também falou sobre as dificuldades que a autarquia federal têm para atender as demandas das camponesas. Segundo ele, o Orçamento geral do Incra para 2016 é R$ 714 milhões, metade do valor de 2013, e que este ano devem ocorrer "grandes cortes" de gastos nas superintendências regionais. “É um cenário de muitos cortes e dificuldades de acompanhar os assentamentos e realizar a reforma agrária”, declarou.