Na Engraxataria do Aeroporto, os oito funcionários passaram boa parte do dia na expectativa do retorno dos clientes. “O movimento estagnou. Em 20 anos de atividades no Salgado Filho nunca vi nada parecido”, atestou Joarez Nicolini, 44 anos. Os taxistas contabilizavam prejuízos frente à ausência dos clientes. “Normalmente, realizo sete corridas no período das 6h às 9h. Nesta sexta-feira, não fiz uma sequer”, lamentou Leandro da Silva Borges. Os poucos passageiros transportados durante a manhã deixavam o aeroporto com destino às residências ou à Estação Rodoviária.
O aviso prévio de que os aviões não partiriam desde o final da noite de ontem, também reduziu o movimento do terminal até o final da tarde, quando finalmente começou a liberação das decolagens e pousos. Os que se dirigiram ao aeroporto, em boa parte, deixaram a pressa de lado, como o assessor de negócios Marcos Pretto, que não ficou incomodado com o cancelamento de voos. “As companhias estão fazendo o melhor para nossa segurança. Vim para o aeroporto com paciência acumulada”, comentou.
Mas aí vieram os desafios de logística, principalmente para passageiros que faziam escala na Capital. Em meio às inúmeras filas que se formavam junto aos guichês, a analista Karine Ziemann, de 23 anos, observava a movimentação, sentada em um carrinho de bagagens. Cansada, relatou que o drama do cancelamento de voos começou quinta-feira, em Montevidéu (Uruguai), onde estava em viagem de negócios, na companhia de outros colegas de trabalho.
“Nosso voo a Navegantes foi cancelado e decidimos vir a Porto Alegre de ônibus.” Após 12 horas de viagem, chegaram ao Salgado Filho e foram surpreendidos pelos cancelamentos. Eles, que já tinham gasto 460 dólares com as passagens de ônibus, tiveram que desembolsar mais R$ 860,00 para seguir até Santa Catarina, onde todos residem, em um automóvel locado.
Para as locadoras de veículos as cinzas do vulcão foram um bom negócio. Houve formação de fila em praticamente todos os guichês das locadoras nas proximidades dos portões de desembarque nacional e internacional. “Já realizamos 15 locações. O movimento não é comum para uma sexta-feira”, disse a agente de locação Cristine Cassel.