Já a ala infantil do Clínicas, equipada para nove crianças, mantinha 13 em observação. No Hospital São Lucas, o ProntoSUS Adulto abrigava 33 enfermos - 18 acima da capacidade. Na tentativa de atenuar a superlotação, a direção do Complexo Hospitalar Santa Casa decidiu fechar as emergências do SUS e de convênios/particular para a internação de novos pacientes. O Hospital Santa Clara, vinculado ao SUS, abrigava 16 pessoas - quatro excedentes - e o pronto-atendimento do Hospital Dom Vicente Scherer, com dez leitos, registrava 13 pacientes acima de sua capacidade. O Setor de Emergência do SUS do Hospital da Criança Santo Antônio, com disponibilidade para 13 enfermos, mantinha 16 em atendimento.
A promotora de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos Angela Rotunno irá instaurar procedimento administrativo para acompanhar a situação envolvendo resolução do Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers), que disciplina a conduta dos médicos reguladores acerca do conceito de "vaga zero". A portaria 2.048/2002, do Ministério da Saúde, de acordo com o Cremers, permite que pacientes desembarcados por ambulâncias em hospitais sem vagas não sejam aceitos. "Estamos apreensivos, pois há o risco de quem busca atendimento ficar transitando de hospital para hospital", salientou.
A promotora também se mostra preocupada com a situação dos médicos pois, conforme a circunstância, o profissional pode cometer infração ética e incidir em crime, ao negar o atendimento ou por eventuais danos que venham a ocorrer aos enfermos. A promotora afirmou que o Ministério Público do Estado e o Ministério Público Federal estudarão a resolução a fim de avaliar a legalidade do documento. O MP também deverá chamar o Cremers para uma reunião em que devem discutir a portaria.