De acordo com os participantes, a ação violenta de reintegração de posse realizada no domingo pela Polícia Militar contra cerca de duas mil famílias não pode mais se repetir. Por isso, o protesto foi realizado em várias capitais. “O governo federal precisa tomar alguma atitude frente a essa barbárie que se assemelha a massacres como os ocorridos no Carandiru e em Eldorado dos Carajás”, disse Érico Correia, da Central Sindical Popular.
A vereadora Fernanda Melchionna (PSol) também participou do ato e afirmou que há blindagem na divulgações de feridos em São Paulo. “Há relatos de gente ferida e, infelizmente, morta, mas os hospitais estariam impedidos de revelar os dados. Além disso, as pessoas que moravam no Pinheirinho estavam lá há pelo menos oito anos, o que configuraria o usucapião”, argumentou Fernanda, ao lembrar que em Porto Alegre muitas pessoas já foram retiradas de suas casas, mas realocadas em outros espaços, diferente do que ocorreu em São Paulo.
De acordo com a parlamentar, no último domingo, a operação de retirada das famílias teria sido feita com brutalidade, ferindo a dignidade das pessoas. Fernanda explicou que o terreno, ocupado desde 2004, é de propriedade da empresa Selecta, do empresário Naji Nahas, preso em 2008 durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, por suspeita de corrupção – o que teria sido negado na época.