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Capitania dos Portos acredita que tanque do navio transbordou

Cerca de 300 litros de óleo caíram na água do mar em Rio Grande

Capitania dos Portos acredita que tanque do navio transbordou
Capitania dos Portos acredita que tanque do navio transbordou Foto : Christian Zangrando / Especial CP
Um derramamento de óleo do navio Baltic Champion, de bandeira maltesa, no canal de acesso ao porto de Rio Grande, mobilizou autoridades da área portuária, órgãos ambientais e a Petrobras durante toda a quinta-feira. O vazamento ocorreu por volta das 4h da madrugada, durante o abastecimento do navio, que estava atracado no Píer do terminal da Transpetro descarregando petróleo para a Refinaria Riograndense. Conforme a Capitania dos Portos, "tudo indica que o tanque da embarcação transbordou". Na água caiu em torno de 300 litros de bunker (óleo combustível marítimo) - MS 380 -, mas outra grande parte ficou concentrada no convés da embarcação.

"Estamos iniciando um processo administrativo para apurar responsabilidades. Pode ter sido uma falha do terminal ou do navio. Temos uma equipe investigando", relatou o capitão dos portos do Rio Grande do Sul, Sérgio Luiz Correia de Vasconcelos. As operações no porto rio-grandino não foram afetadas.

Segundo o superintendente do Porto de Rio Grande, Jayme Ramis, vazaram em torno de 3.300 litros de óleo, sendo que 3000 litros ficaram retidos dentro do navio e foram recolhidos e armazenados em contêineres apropriados. Os outros 300 que escorreram para a água foram vistos pela manhã e atingiram a região próxima do cais da Transpetro, sendo que parte também chegou à margem do estuário da Lagoa dos Patos, na chamada Vila das Barraquinhas. Neste último local, o óleo preto e grosso ficou concentrado na água, pedras e redes de pesca. Também atingiu embarcações de pescadores lá residentes. Um cheiro forte exalava do produto.

De acordo com Jayme Ramis, a Petrobras mobilizou a empresa Alpina Ambiental, contratada pela estatal em nível nacional, para fazer a contenção do óleo que caiu na água. Barreiras de contenção foram colocadas em torno da área atingida para evitar que o produto se espalhasse.

Os pescadores que tiveram barcos e redes atingidos se mostraram preocupados. Disseram que as redes ficarão inutilizadas, pois o óleo "cola e não sai", e a pintura dos barcos ficará estragada. Além disso, receiam não poder pescar no local nos próximos dias, como costumam fazer. Ramis disse que até o fim da tarde, nenhum problema ambiental foi identificado. A Capitania dos Portos mobilizou helicópteros, pela manhã, para verificar a extensão da mancha de bunker e lanchas na coleta de amostras do produto que atingiu a água. A intenção é confrontar com as do tanque do navio, visando a confirmar a origem. Ao longo do dia, uma lancha foi mantida no entorno da área afetada para monitorar a situação.

Depois, foi providenciado o início da remoção do óleo da água, sem previsão para conclusão. Na Vila das Barraquinhas, à tarde, alguns moradores ajudavam na retirada do produto da água. Também à tarde, a Comissão Municipal de Defesa Civil, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e uma equipe da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) estavam verificando a área atingida. O coordeandor da Defesa Civil, Adinelson Troca, disse que estava aguardando informações técnicas da Fepam para poder avaliar melhor o caso. "A empresa contratada pela Petrobras está fazendo a limpeza", informou.

Petrobras se exime de culpa

No final da tarde, em nota à imprensa encaminhada por sua assessoria no Rio de janeiro, a Petrobras confirmou que o vazamento ocorreu em operação de abastecimento de combustível do navio Baltic Champion, "cuja condução técnica é atribuição do armador do navio, sob os cuidados de seu comandante e respectiva tripulação, não cabendo à Petrobras nenhuma responsabilidade sobre o fato".

A companhia ressalta ainda que o representante do navio no Brasil é a empresa Cranston Marine and P&I Consultants Ltda. "Embora não tenha responsabilidade sobre o incidente, a Petrobras está apoiando o trabalho de contenção e recolhimento do óleo no local, através de seus recursos locais e experiência técnica de combate a contingências", destacou.