O fogo começou pelo camarote do comandante do Lion e se alastrou para outros compartimentos. Bombeiros do Centro da cidade levaram em torno de duas horas para controlar as chamas. Conforme o inspetor naval Wilmar Altair Oliveira Silveira, que participou da perícia, o navio ficou com bastantes avarias.
Os camarotes do comandante e do imediato, no terceiro convés, tiveram perda total, assim como a copa do comandante. A sala de comando (passadiço), localizada no quarto convés, para o qual o fogo subiu, teve queima parcial e alguns equipamentos, como GPS, radares, GMDSS, VDR (registro de viagem do navio) e AIS (sistema de identificação da posição da embarcação), foram danificados, sendo parte deles pelo fogo e parte pela água usada no combate às chamas.
O corredor do terceiro piso também foi parcialmente afetado. Certificados e planos do navio, mais os certificados dos tripulantes, foram queimados. A praça de máquinas não foi atingida e está funcionando bem, assim como a frigorífica e a cozinha, entre outros setores do Lion.
Incêndio não afetou carga
Os camarotes não atingidos pelo incêndio ficaram sem iluminação porque os fios elétricos foram consumidos pelo fogo. O restante do navio tem iluminação. A carga também não foi afetada e nesta terça-feira o navio continua a operação de descarga normalmente. No entender de Silveira, o navio não tem condições de deixar o porto de Rio Grande antes de passar por conserto, pois o estrago foi grande, havendo muitos equipamentos para trocar.
"Ele tem a propulsão, mas o controle dela, que fica na sala de comando, foi comprometido", observou. Silveira relatou que o superintendente da operadora do navio, que é da Grécia, deve chegar quinta-feira em Rio Grande para verificar a embarcação e definir as medidas que serão tomadas.
O comandante da embarcação, Tzevelekis Dimitrios, já acionou a seguradora. Um vistoriador da Sociedade Classificadora também deve vir ao porto rio-grandino para avaliar as condições do navio. O superintendente da operadora pode resolver rebocar o Lion para um estaleiro no Brasil ou no exterior, para o conserto necessário.
Durante a perícia, os inspetores navais ouviram o comandante da embarcação, que contou que estava dormindo no momento em que o incêndio começou e que acordou com o cheiro da fumaça. Ele sofreu queimaduras de segundo grau nas mãos ao tentar fazer o primeiro combate ao fogo e recebeu atendimento médico. Os outros tripulantes não sofreram ferimentos. A tripulação do Lion é de 24 pessoas, incluindo o comandante. São dois da Grécia, três de Montenegro, um romeno e os demais filipinos.
A causa do incêndio ainda não está definida, mas os indícios são de que tenha sido um curto-circuito. A perícia realizada pelos inspetores navais é destinada a uma investigação de segurança de acidente ou incidente marítimo. Paralelamente, outra equipe também fez vistoria para o inquérito administrativo aberto pela Capitania dos Portos para averiguar o que causou o incêndio. A Capitania tem 90 dias para conclusão do inquérito, prazo que pode ser prorrogado.