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Carris estima prejuízo de R$ 1 milhão em nove meses com fraudes

Empresa calcula que cada servidor envolvido na fraude desviava cerca de R$ 2,5 mil por mês

Manifestantes impediram as saídas de ônibus no começo da manhã
Manifestantes impediram as saídas de ônibus no começo da manhã Foto : André Ávila
A Companhia Carris Porto-alegrense calcula ter tido um prejuízo de até R$ 1 milhão com fraudes do cartão TRI realizadas ao longo de nove meses por 42 cobradores, que foram demitidos no começo desta semana. O diretor-presidente da empresa, Sergio Zimmermann, estimou que cada funcionário envolvido desviava cerca de R$ 2,5 mil por mês. No total, o rombo seria de até R$ 120 mil mensais.  Zimmermann afirma ainda que a investigação foi profunda, mas evita revelar se mais funcionários serão afastados. “O setor de operação conta com 1,5 mil servidores. Realizamos uma investigação detalhada de 90 pessoas de março a novembro e, deste número, chegamos aos 42 cobradores que foram afastados, por suspeita de fraude no sistema de bilhetagem eletrônica”, disse.

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Conforme Zimmerman, os cobradores utilizavam o cartão TRI de terceiros e embolsavam as passagens que eram pagas em dinheiro. A descoberta do esquema ocorreu após um cruzamento de dados realizado em parceria com a Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP). Todos foram responsabilizados por improbidade administrativa. O caso será levado ao conhecimento do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Ministério Público (MP) e Polícia Civil.

Os funcionários afastados reclamaram que não tiveram chance de defesa. Segundo os trabalhadores, eles eram demitidos assim que chegavam à sede da Carris. Zimmerman minimizou a situação. "A comissão de sindicância foi formada por funcionários de carreira, que fizeram a investigação. Isso vem desde março. Eles terão toda chance de defesa agora. Nós vamos encaminhar os documentos ao Ministério Público do Trabalho e ao Tribunal de Contas para que eles busquem esta defesa. A legislação brasileira é bem clara", resumiu.

As demissões resultaram em um protesto de rodoviários na manhã desta terça na frente da empresa na rua Albion, no bairro Partenon, na zona Leste de Porto Alegre. Os sindicalistas bloquearam os dois portões por volta das 4h e impediram a saída dos 370 ônibus da frota que diariamente atendem cerca de 300 mil pessoas por dia. Em função do bloqueio e das ameaças aos funcionários que queriam trabalhar, Zimmermann acionou a Brigada Militar para que auxiliasse na liberação dos coletivos.

O efetivo do Pelotão de Operações Especiais (POE) do 19º Batalhão de Polícia Militar (19º BPM) foi chamado para atender a ocorrência. O clima entre os manifestantes e policiais militares ficou tenso. Por volta das 8h20min, os ônibus começaram a deixar a garagem. A Brigada Militar liberou o portão 2 e mais de 200 veículos deixaram o local, sob protesto de alguns sindicalistas que chamavam os colegas de “pelegos”. O major Marco Amaral, do 19º BPM, informou que foi utilizado um efetivo de 40 homens que montou um cordão de isolamento para liberar a saída dos veículos. “Respeitamos a manifestação. No entanto, as pessoas precisam chegar ao trabalho”, comentou.

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