Segundo o diretor-presidente da Carris, Sérgio Zimmermann, os contratados emergencialmente serão utilizados caso os funcionários não cumpram a determinação judicial, que prevê 50% da frota em circulação ao longo do dia e 70% dos ônibus operando nos horários de pico. Eles receberão salários proporcionalmente aos dias trabalhados. Outras empresas de ônibus que atuam na Capital também são utilizadas no plano emergencial, para amenizar os transtornos causados à população usuária do transporte coletivo.
Neste domingo, a Carris está com metade das linhas circulando, atendendo à decisão da Justiça de manter contingente mínimo definido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4). A informação foi dada pelo presidente da Comissão dos Funcionários da Carris, André Luis Prates. Segundo ele, o acordo foi aceito em assembleia da categoria, na noite desse sábado. Em horários de pico, conforme Prates, a frota será ampliada para até 70%. É o caso do período antes e depois do Gre-Nal, que será realizado a partir das 17h no estádio Olímpico. Uma operação especial foi firmada entre a Carris e a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) para o clássico. A partir das 13h, as linhas T2, T5 e T6, que atendem as proximidades do palco do jogo, serão reforçadas para que funcionem com a tabela horária de sábado. Além disso, de acordo com a EPTC, 403 lotações estarão operando.
Requisitos para contratação emergencial
Interessados devem comparecer na sede da Carris, na rua Albion, 385, bairro Partenon, Portão 2, até as 17h, munidos de Carteira de Trabalho Profissional, RG, CPF e comprovante de residência. Candidatos às vagas de motorista deverão apresentar também Carteira Nacional de Habilitação (CNH), Curso de Capacitação em Transporte Coletivo de Passageiros. A experiência mínima exigida é de dois anos. Para o cargo de cobrador, é preciso ter concluído o Ensino Médio e idade mínima de 18 anos. As contratações devem seguir sendo realizadas até quarta-feira, das 9h às 17h.
A paralisação
Na sexta-feira, usuários de ônibus de Porto Alegre foram surpreendidos com a paralisação dos servidores da Carris, que na madrugada optaram por realizar o movimento como forma de manifestar insatisfação com a empresa. Entre as reivindicações da categoria estão o excesso de cargos de confiança na empresa; sucateamento da frota e das oficinas; falta de segurança para motoristas, cobradores e passageiros; uniformes de má qualidade; falta de condições para cumprimento dos horários, além do pagamento de um prêmio motivacional.
O prefeito José Fortunati ingressou na justiça com um pedido de ilegalidade da greve. No mesmo dia, os funcionários rejeitaram acordo com a empresa e a desembargadora do TRT4, Rosane Serafini Casa Nova, determinou que apesar da greve, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Porto Alegre mantivesse nos postos de trabalho funcionários suficientes para que 70% da frota da Carris possa circular nos horários de pico e 50%, nos demais períodos. A decisão foi ignorada na manhã de sábado.
Também no sábado, a EPTC firmou um acordo para que dez linhas transversais da Carris operem a partir de segunda-feira por meio de frota própria ou de ônibus extras, assegurados pelos consórcios STS, Unibus e Conorte. Conforme o presidente da companhia, Sérgio Zimmerman, a Carris assume as linhas T2, T3, T5 e T7; o Conorte fica responsável pelas linhas T1 e T4; o STS pela T11; e o Unibus pelas linhas T6, T8 e T9. Com exceção da T11, todas as linhas circularão com tabela horária de sábado.
Para segunda-feira, a previsão é de que a operação se mantenha da forma como determinou a Justiça. Está marcada ainda, para às 8h, uma reunião de mediação entre a direção da Carris e os funcionários da empresa em greve na Justiça do Trabalho.
Com informações do repórter Samuel Vettori