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Casal de aposentados consegue na justiça adotar menina de 4 anos

Burocracia adiou em quase dois anos o sonho da família de Gravataí

Foram quase dois anos de uma batalha na Justiça sem fim. Mas que no final desta história o amor venceu. Já abrigada em uma instituição da Capital para menores na mesma situação, Adriana de 4 anos e 6 meses foi amparada pelo casal Paulo Salatino, de 68 anos e Nara Fraga de 58, que estavam dispostos a oferecer um lar de verdade.

O desejo de acolhimento nasceu na véspera de natal de 2007 quando, por um empurrãozinho do destino, o casal entregou donativos ao abrigo. Lá conheceram a pequena Adriana. Foi amor à primeira vista. No mesmo mês conseguiram levar a menina para casa através do apadrinhamento afetivo. A criança ficou 62 dias com o casal. Aposentada pelo INSS, dona Nara explica que no começo estava indecisa pela adoção, mas que no momento em que a Adriana lhe chamou de mãe, as coisas mudariam. "Eu seguia na dúvida para adotá-la, mas no momento em que ela me olhou com aqueles olhinhos inchados e me chamou de mamãe, na hora decidi que queria levá-la", disse.

No entanto, a Justiça decidiu retirar a criança, alegando que o casal não passou por um cadastro geral de pais adotivos. Mas Paulo Salatino diz que a decisão de adotá-la tinha ocorrido desde o momento em que a viu pela primeira vez. "Quando a vi pela primeira vez, foi amor a primeira vista. Queria tirá-la do abrigo da Associação Social Aliança Cristã para levá-la a minha casa para sempre", ressaltou o aposentado.

A família ficou bastante angustiada com o retorno da menina ao abrigo. Com isso iniciou uma verdadeira briga judicial. O casal entrou com recurso pedindo a guarda da menina. Muitos "não" apareceram, mas dona Nara não desistiu e comparecia quase todos os dias no fórum de Porto Alegre. Como ironia do destino, quase dois anos depois, no inicio deste mês, o desembargador do Tribunal de Justiça, José Conrado, deu parecer favorável a guarda provisória ao casal. E no último dia 16 a família recebeu o documento que dava a permissão para a menina voltar. Adriana, já matriculada na escola para 2010, era só alegria.

A única filha do casal, a bibliotecária Cássia Fraga, de 34 anos é mãe adotiva de mais duas crianças. A prova de que o amor sempre vence no final era tão grande, que no final desta reportagem, descobrimos que dona Nara adotou das ruas 28 cachorros e 24 gatos. Todos moram juntos em Gravataí e, segundo o casal de aposentados, este Natal já entrou para a história da família como o mais especial de todos os tempos.