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Casal estava no apartamento quando Isabella caiu, diz promotor

Cembranelli comparou as ligações telefônicas entre vizinhos e polícia no dia da morte

Multidão se aglomera em frente ao fórum em dia decisivo do julgamento
Multidão se aglomera em frente ao fórum em dia decisivo do julgamento Foto : Cristiano Novais/AE
Na primeira parte do debate entre defesa e acusação no julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, o promotor Francisco Cembranelli comparou as ligações telefônicas entre vizinhos e polícia no dia da morte da Isabella e concluiu: “Eles (casal Nardoni) estavam no apartamento quando Isabella foi jogada.” A audiência sobre o caso da morte da menina foi retomada às 10h26min desta sexta-feira, no Fórum de Santana, em São Paulo.

O promotor afirmou, baseando-se em uma reprodução cronológica das ligações, que o porteiro levou 20 segundos para avisar o então síndico, Antônio Lúcio, que morava no primeiro andar do Edifício London, que uma menina havia caído do prédio.

Entre o tempo de o síndico atender a chamada, ir até a sacada, ver Isabella no chão e chamar a polícia, foi gasto 1 minuto e 20 segundos. No diálogo entre o síndico e a polícia, ele já dizia que uma menina caíra do 6º andar, e que havia ladrão no prédio.

De acordo com esta reprodução, Alexandre levaria 52 segundos para descer de seu apartamento até o térreo, segundo o trajeto calculado no elevador. “Contra fato não há argumento”, enfatizou Cembranelli.

Depois da argumentação do promotor, deve haver pausa para almoço e, em seguida, por volta de 14h, a defesa deve tomar a palavra. Haverá direito de réplica e tréplica, caso seja da vontade das partes. Mais um intervalo para jantar está previsto para as 22h30min e, só depois, os jurados se reúnem para decidir o destino do casal Nardoni.

Alexandre chegou por volta das 8h30min para acompanhar os debates entre defesa e promotoria. Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella, chegou às 8h08min.

O casal é acusado de homicídio doloso (quando há intenção de matar) com três qualificadoras, que podem agravar a pena final. São elas: meio cruel (asfixia); recurso que impossibilitou a defesa da vítima (jogá-la inconsciente pela janela); e assegurar impunidade de outro crime (o casal teria jogado a menina para ficar impune do que havia feito no apartamento). Se forem condenados, os acusados podem pegar mais de 30 anos de prisão - o pai de Isabella está sujeito a uma pena maior do que a madrasta, por ter cometido um crime contra um descendente.

Reforço

O número de policiais militares que fazem a segurança em frente ao fórum deve aumentar no período da tarde. Segundo a Polícia Militar (PM), 34 policiais estão no local e outros policiais farão parte do efetivo para garantir a segurança dos presentes a partir das 16 horas, se estendendo até a noite. O número de agentes ainda não foi divulgado.