Geral

Casal morador do Asilo Padre Cacique comemora aniversário no Dia de Finados

Balões coloridos, bolso, salgado e distanciamento social marcaram a data especial de Luci e Assis

Da maneira possível, Luci e Assis festejaram aniversário no Asilo Padre Cacique
Da maneira possível, Luci e Assis festejaram aniversário no Asilo Padre Cacique Foto : Mauro Schaefer

O feriado do Dia de Finados foi especial para Luci Rosa Scalcon Nardes e Assis Malmacedo Nardes. Por uma coincidência rara, o casal – que mora no Asilo Padre Cacique – comemora aniversário no mesmo dia: 2 de novembro. Casados há 49 anos, Luci e Assis ganharam uma festa surpresa da família na tarde desta segunda-feira, com direito a balões coloridos, bolo, salgados e bebidas. A festa preparada com cuidado pela direção adotou rígidos protocolos sanitários, com uso de máscara de proteção e distanciamento social. 

Uma mesa colocada na entrada do asilo e uma faixa de isolamento garantiam a distância segura do casal para os familiares, que se deslocaram de Canoas, na Região Metropolitana, para cantar parabéns aos dois do lado de fora do asilo. Irmãos, sobrinhas, netos e bisnetos – além de um dos filhos do casal, Romildo – participaram do momento especial. Nascida em 2 de novembro de 1948, em Santiago, Luci comemorou 72 anos. Assis, que nasceu em 1939, também em Santiago, celebrou 81 anos. A presença dos familiares emocionou Luci, que não segurou as lágrimas: “Achei muito linda essa surpresa, não esperava. Parece uma festa de casamento”.

Ela explica que os dois moram há 11 anos no local, desde que vieram de São Borja, onde trabalhavam como caseiros. Cercada de parentes, que se revezavam na entrada para uma conversa rápida, Luci não escondia a alegria pela surpresa. “Faz tempo que moramos aqui, estamos bem. Continuamos sempre com toda minha família, filhos, netos, irmãos, tudo 'me rodeando'. Graças a Deus, eu e meu velho vamos ficar aqui até a morte separar”, afirma, observando que o marido é mais discreto e evita badalação. “Ele não gosta de participar de nada, só que eu que participo.” 

O filho Romildo, que estava acompanhado da esposa Rosa, confirma o perfil mais discreto do pai e ressalta que a mãe gosta de passear no fim de semana. Mas por conta da pandemia da Covid-19, as saídas estão suspensas. “Viemos todos os fins de semana para visitá-los. Eles sentem falta”, frisa. Ele admite que não poder dar uma abraço nos dois é uma situação difícil e garante que a mãe é quem se ressente das saídas. “Ela gosta de passear. Se não fosse a pandemia, ela estaria conosco passeando até o fim do dia”, lamenta. Presidente do Asilo Padre Cacique, Edson Brozoza salienta que em função da Covid-19, as festas estão sendo realizadas nas janelas para os moradores. 

Mas o fato de ser o único casal a comemorar aniversário na mesma data exigiu uma homenagem diferenciada. “Estamos passando por essa dificuldade do vírus, com pessoal sem receber visita. É uma confraternização que traz energia fantástica, basta a gente ver a emoção deles”, assinala. Conforme Brozoza, dos moradores do asilo, o casal é o que tem mais parentes e o que mais recebe visitas. “Tem muitos aqui que não tem ninguém, são abandonados. Já recebemos moradores de familiares que os largaram aqui em cadeira de roda ou de pé mesmo sem um documento no bolso e ir embora”, completa.