A translucidez da água permite a vista dos pés sobre as pedras arredondadas arrastadas pela correnteza para alicerçar o leito de um trecho de rio magnificamente preservado. Claro, isso só ocorre pelo difícil acesso ao lugar. Depois da entrada para Maquiné, pela BR 101, é necessário percorrer de oito a nove quilômetros desde a área urbana do município. A impressão na chegada é de se estar em uma comunidade de traços coloniais, instalada no vale entre os morros. Mesmo ali, no centro da cidade, é possível sentir a presença encantadora da natureza.
Após o primeiro trecho, chega-se à Barra do Ouro. Aí sim, a sensação de estar deslocado no tempo. Casas sem muros e grades estão espalhadas nas faces de uma avenida que margeia o rio Maquiné. Dali, são mais nove quilômetros morro acima por uma estreita estrada vicinal, cercada de pequenas propriedade rurais, muros de pedra, humildes construções seculares, hortas e lavouras, animais e densa vegetação nativa.
A paisagem, desde então, torna-se arrebatadora. O ar fresco e úmido do vale, os sons da natureza e a imponência dos montes, rochedos e penhascos impõem aos sentidos uma percepção de reencontro com a condição natural desaprendida pelo homem civilizado. O caminho é pouco sinalizado. A cordialidade dos habitantes locais pode funcionar melhor que um GPS na indicação do caminho. Ao fim da estrada, chega-se a um conjunto de pequenos sítios, chamado pelos moradores de Linha Garapiá.
Algumas dessas chácaras são preparadas para receber campistas, sob condições modestas de acomodação. Ana Flávia Bresolin, 14 anos, mora com os pais há quase uma década no local. Ela conta que viaja 1 hora e meia para chegar à escola, no centro de Maquiné, e que precisa abrir mão de confortos como telefone e Internet. "A vantagem é a tranquilidade, a paz e o silêncio", descreve Ana Flávia.
O ambiente é acolhida ideal para os apreciadores de passeio ecológico e aventura. Do paradouro, o som produzido pelo contato do véu d''água sobre a piscina natural guiará os passos dos visitantes pela trilha na mata até a Cascata do Garapiá. Em dias de muito calor, a água refrescante é acolhedora. E uma belíssima paisagem com qualquer tempo.