Geral

Casos de câncer têm crescido na América Latina

Médico Carlos Barrios diz que as pesquisas clínicas são fundamentais para a que a epidemia seja evitada

Por Marco Aurélio Ruas

Aproveitando a ocasião do ‘Outubro Rosa’, pesquisadores do Brest International Group (BIG) se reuniram com investigadores de grupos latino-americanos de pesquisa durante a segunda-feira e ontem, com o objetivo de discutir alternativas para enfrentar a crescente incidência de câncer que ameaça a América Latina.

Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 60% dos novos casos de câncer no mundo ocorrem na África, Ásia, América do Sul e Central. Além disso, 70% das mortes em decorrência da doença no mundo ocorrem nestas regiões. Segundo o diretor executivo da American Cooperative Oncology Group Latin (Lacog), o médico Carlos Barrios, as pesquisas clínicas são fundamentais para a que a epidemia seja evitada. “Através da pesquisa, novos tratamentos podem ser descobertos, possibilitando um combate mais efetivo à doença”, salientou.

Segundo Barrios, a pesquisa clínica no Brasil está morrendo. “Em 2013, cerca de 100 pesquisas deixaram de serem feitas. Cerca de 3 mil pessoas poderiam ter se beneficiado delas”, destacou. Para o médico, a demora regulatória é o principal entrave na produção de pesquisas clínicas. “O processo de liberação de uma pesquisa deveria dura de dois a quatro meses nos países desenvolvidos. No Brasil, demora até 14 meses”, justificou. As instituições públicas responsáveis por efetuar as liberações são a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

Para salientar a importância da realização de estudos, Martine Piccart-Gebhart, cofundadora do BIG, falou sobre uma pesquisa realizada com o objetivo de conseguir identificar quais pacientes mulheres precisam fazer quimioterapia após a cirurgia de retirada da mama. “O recurso da quimioterapia é muitas vezes utilizada de forma indiscriminada por conta do medo dos médicos. Através do estudo, conseguimos identificar que 15% das pacientes não precisam do tratamento”, ressaltou.

Entre as causas identificadas pelo grupo para a dificuldade no desenvolvimento de pesquisas clínicas na América Latina estão a falta de estrutura nas organizações nacionais e regionais, o número limitado de pessoas qualificadas e especializadas, os obstáculos legais e regulatórios em alguns países e a falta de financiamento.

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