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Catamarã realiza travessia inaugural entre Guaíba e Porto Alegre

Transporte hidroviário custa R$ 6 por pessoa e leva metade do tempo do percurso de ônibus

Catamarã realiza travessia inaugural entre Guaíba e Porto Alegre
Catamarã realiza travessia inaugural entre Guaíba e Porto Alegre Foto : Cristiano Estrela
Os passageiros que embarcarem às 6h desta sexta-feira nos catamarãs Ana Terra e Carlos Nobre, da empresa Catsul, darão continuidade a uma história interrompida há 51 anos. Desativado desde 1960, após a inauguração da Ponte do Guaíba, o transporte hidroviário entre Porto Alegre e Guaíba será reativado após décadas de tentativas frustradas. A travessia inaugural, para autoridades e imprensa, foi realizada nesta quinta.

O percurso de 14,5 km será feito em cerca de 20 minutos, a uma velocidade mínima de 40 km/h pelas águas do Guaíba. De ônibus, o trajeto entre as duas cidades leva pelo menos 40 minutos. O preço da passagem é de R$ 6,00 de segunda a sexta (tarifa promocional, até o final de novembro) e R$ 7,00 aos sábados, domingos e feriados - mais caro do que o ônibus, com tarifas a partir de R$ 4,85. Em Porto Alegre, o terminal de embarque e desembarque está localizado no Armazém B-3 do Cais do Porto, próximo ao Mercado Público. Na cidade vizinha, localiza-se junto à Estação Rodoviária.

A expectativa da Catsul, empresa pertencente ao grupo Ouro e Prata, é transportar 2 mil pessoas por dia. “Se tivermos uma ocupação alta, o preço promocional poderá ser mantido por mais tempo”, disse o diretor-presidente da companhia, Hugo Fleck. “O grande diferencial do nosso serviço é o tempo de viagem”, explicou o diretor operacional, Carlos Bernaud. Vencedora de licitação, a Catsul assinou com o governo do Estado um contrato válido por 30 anos, com possibilidade de renovação por mais 30.

Segundo o prefeito de Guaíba, Henrique Tavares, 5 a 7 mil moradores da cidade trabalham no Centro da Capital e poderão ser beneficiados. “Eles enfrentam engarrafamentos, dificuldades para estacionar e, às vezes, atrasam-se em função da ponte”, afirmou. “Estamos orgulhosos em receber este transporte alternativo, que praticamente não é utilizado em nosso Estado, ao contrário de países de primeiro mundo.”

O investimento total foi de R$ 7 milhões, provenientes de recursos privados. Cada catamarã custou R$ 2 milhões. As embarcações têm capacidade para 120 passageiros sentados, mais dois espaços para cadeirantes. Os barcos são equipados com sistema de alarme contra incêndio e de navegação por instrumentos, saídas de emergência, equipamentos de segurança, TV de LCD, isolamento térmico e acústico e local destinado ao transporte de pelo menos cinco bicicletas.

“A obra, em termos de recursos, não é significativa, mas representa muito pela predominância do interesse do Estado e a expansão do transporte fluvial”, disse o governador Tarso Genro, um dos passageiros da travessia inaugural. Ele ressaltou que o edital foi elaborado pelo governo anterior. “Nós demos continuidade, portanto cumprimos um projeto que interessava a todo o povo gaúcho.”

O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, destacou a possibilidade de o transporte hidroviário ser levado também à Zona Sul. De acordo com ele, a mobilidade urbana passa indiscutivelmente pelo fortalecimento do transporte público e das hidrovias.

A travessia entre Porto Alegre e Guaíba conta com 14 horários para cada destino, das 6h às 19h30min. A compra das passagens pode ser feita com antecedência de até 30 dias, nos próprios terminais de embarque. O pagamento pode ser feito no cartão de débito. Segundo o diretor da Catsul, Hugo Fleck, o catamarã é uma embarcação segura e resistente a ventos fortes. “Em dias de extremo nevoeiro, quando a visibilidade é baixa, vamos ter de operar em baixa velocidade”, salientou. De acordo com ele, cerca de 80% da frota mundial utilizada em travessias como esta é feita por este tipo de embarcação.

A venda dos bilhetes sequer havia iniciado e já surgiram os primeiros interessados na travessia. A artesã Maria Lori Alves da Silva, moradora da Capital, foi ao Armazém B-3 do Cais Mauá para se informar sobre o novo tipo de transporte. Ela deverá receber parentes de Santa Catarina nos próximos dias e pretende levá-los a fazer o passeio. “É uma atração a mais: além de conhecer Guaíba, fazer essa travessia”, explicou.

A reativação do transporte hidroviário entre Porto Alegre e Guaíba poderá impulsionar a expansão do modelo a outros locais do Rio Grande do Sul. O primeiro ponto a ser contemplado deve ser a Zona Sul da Capital. “Queremos fazer, em horários de pouco movimento, o trajeto até o Barra Shopping Sul”, explicou o secretário estadual de Obras Públicas, Luiz Carlos Busato.

O governo do Estado também estuda a implantação do sistema nas regiões Sul - entre São José do Norte e Rio Grande - e Carbonífera - entre Triunfo e São Jerônimo. Conforme Busato, o fortalecimento econômico de Rio Grande, com o desenvolvimento Polo Naval, requer a criação de alternativas de transporte.

“As embarcações que lá estão não estão atendendo todos os quesitos de segurança e de conforto que precisam. Evidente que, se eles se adaptarem e cumprirem as exigências do edital, estarão habilitados também”, observou o secretário. Busato destacou que, com a proximidade da Copa do Mundo de 2014, outras alternativas podem ser criadas. O secretário de Infraestrutura e Logística, Beto Albuquerque, destacou a necessidade de uma travessia até o Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, na Expointer do próximo ano. “A BR 116 é terrível”, justificou.

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