O Mercado Público está isolado para o trabalho do rescaldo e da perícia. Desde o início da manhã, permissionários, funcionários e voluntários auxiliam na retirada de mercadorias que não foram danificadas.
No domingo, um cálculo preliminar dos peritos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) indicava que cerca de 10% do prédio tenha sido consumido pelas chamas. "Olhando agora, acreditamos que os danos não tenham sido tão grandes, talvez tenha atingido cerca de 10% do prédio. A parte de baixo do Mercado Público está praticamente intacta", relatou, na ocasião, o perito Rodrigo Eber.
O laudo completo, no entanto, tem previsão de ser concluído em 30 dias, podendo ser prorrogado, dependendo dos empecilhos encontrados pelos peritos. Os servidores procuram indícios que possam explicar o que causou o início das chamas.
O Mercado Público
Inaugurado em outubro de 1869, o Mercado Público de Porto Alegre foi criado para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. O local foi tombado como bem cultural em 1979 e passou por um processo de restauração entre os anos 1990 e 1997, o que garantiu ao lugar um espaço maior aos estabelecimentos comerciais, mas sempre manteve a concepção arquitetônica original.
O incêndio desse sábado não foi o primeiro enfrentado pelo Mercado Público. Em 1912, um sinistro destruiu os chalés internos. Em 1941, uma enchente atingiu o local e, 38 anos mais tarde, mais dois sinistros destruíram as dependências do estabelecimento que serve como cartão postal de Porto Alegre. O prédio chegou a ser ameaçado de demolição durante a administração de Telmo Thompson Flores. Na época, era cogitada a construção de uma avenida na área.
Na década de 90, quando passou por reforma, o Mercado Público recuperou a percepção visual das arcadas. O trabalho resgatou as circulações internas, criou novos espaços de convivência e implantou redes de infraestrutura compatíveis com o funcionamento do prédio. A nova cobertura que possibilitou a integração entre o térreo e o segundo pavimento.
No segundo pavimento, onde antes existiam escritórios e repartições públicas, diversos estabelecimentos como restaurantes e lancherias passaram ocupar o espaço e ganharam um lugar no Mercado Público.
Com nova infraestrutura, o cartão postal de Porto Alegre ganhou também um Memorial, além de duas escadas rolantes e dois elevadores. O custo da reforma ficou, na época, em R$ 9 milhões, sendo, 88% do orçamento da Prefeitura, e os demais 12% pelo Fundo Municipal do Mercado Público e doações diversas.