O patrão do Piquete Lanceiros Negros Contemporâneos, Luiz Fernando Centeno, destacou que a caminhada está no seu 11º ano enaltecendo a participação do negro na cultura. “Lembramos o dia 14 de novembro de 1844, quando a promessa de liberdade não foi cumprida e preferiram dizimar quem ajudou o Rio Grande do Sul”, afirmou. Ele se referia ao Massacre de Porongos, quando um grupo de lanceiros desarmados no município de Piratini foi morto durante a Guerra Farroupilha.
O diretor da Fundação do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF), historiador Cláudio Knierim, disse que, enquanto o resto do Brasil, recorda a morte de Zumbi dos Palmares, no dia 20, os gaúchos têm uma memória muito particular do período da escravidão . "O dia 14 foi muito marcante”, explicou. Ele disse que o roteiro percorrido há mais de dez anos em Porto Alegre foi construído por historiadores. Knierim comenta que os locais guardam muitas curiosidades. “Pouca gente sabe, mas o bairro Bom Fim era um bairro de negros”, destacou. O Parque Farroupilha, segundo ele, foi a área escolhida para libertar parte dos escravos. “Por isso, hoje chamamos de Redenção”, disse.
O grupo passou ainda por locais como as igrejas do Rosário e Nossa Senhora das Dores, Mercado Público, rua Castro Alves e Quilombo Urbano Guaranha.