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Cavaleiros gaúchos concluem primeira etapa de aventura na América Latina

Grupo enfrentou frio e diversas dificuldades; veja fotos

Cavalos são fiéis companheiros
Cavalos são fiéis companheiros Foto : Eduardo Rocha
Os 23 cavaleiros gaúchos da confraria Cavaleiros da Paz concluíram, no início desta semana, a primeira etapa da nova aventura do grupo, denominada Cavalgada no Fim do Mundo. No sábado, domingo e segunda-feira de Carnaval, o grupo realizou uma cavalgada na região da cidade de El Calafate, pertencente à província de Santa Cruz. Neste sábado, o grupo realizará uma cavalgada em Ushuaia, na província de Terra do Fogo, última etapa da jornada.
A partir de hoje, o Correio do Povo vai contar como foram os quatro dias de cavalgada do grupo gaúcho, narrada pelo cavaleiro Maurício Junqueira, um dos integrantes da confraria.

Dia 13 de fevereiro de 2010

"Saímos cedo em direção à fazenda de Lago Roca, onde pegaríamos os cavalos e sairíamos com nosso guia Luciano Cuenca, uma das poucas pessoas autorizadas a ingressar no Parque Nacional de El Calafate. Cuenca nos informou que esta era a primeira vez que um grupo tão grande de cavaleiros tinha autorização para realizar este trajeto.

Logo na saída a Puesto La Rosada - Paso Zamora, limite fronteiriço com o Chile, pegamos um pouco de neve e, após duas horas de cavalgada, já era possível contemplar magníficas paisagens, com o glacial Perito Moreno ao lado Norte e o lago Argentino ao lado Sul.

Costumamos dizer que os imprevistos são as coisas mais certas que ocorrem nestas situações e conosco não foi diferente. Andamos por cinco horas e nos desencontramos do apoio, fazendo com que ficássemos sem almoço. O terreno muito enlameado em diversas partes do percurso provocou os primeiros incidentes, com pouca gravidade. Os cavalos foram encilhados com colchões, que nos serviriam de cama, porém prejudicavam o aperto e ajustes dos arreios. Por causa disso, o cavaleiro José Roberto Moraes teve a primeira queda que lhe custou um dia de repouso, em companhia do nosso comandante Nico Fagundes, que percorreu todo caminho de ida e volta com os demais cavaleiros.

'Como Cavaleiros da Paz, estamos acostumados a cavalgar nas piores condições possíveis, mas não lembro de enfrentarmos lugares tão iníspidos sem nenhum apoio, estrutura de suporte, ou qualquer contato para um caso de emergência. Foi uma aventura num dos lugares mais lindos do mundo, mas graças a Deus não tivemos maiores imprevistos', afirmou Moraes.

Somente às 21h30min, ainda dia na Cordilheira, chegamos a um rancho (carpa), a cerca de um quilômetro da fronteira com o Chile, construído entre as montanhas, onde quatro peões nos aguardavam com churrasco de ovelhas assadas, para saciar nossa fome.

À noite, a temperatura fica abaixo de 0°C e a sensação de frio é muito intensa. O rancho não abrigava a todos; por isso, uns ficaram em barracas improvisadas e outros buscaram proteção em qualquer outro abrigo para enfrentar uma noite de muito frio".