Conforme o procurador, o município não é contra as tradições gaúchas. “O compromisso firmado é de que a utilização do local seria para o desenvolvimento de atividades artísticas e culturais.” Segundo Torman, a prefeitura respeita o Pialo da Saudade e os mais de 20 CTG’s existentes na cidade. “O que queremos é que a população do bairro Cohab A também seja respeitada e que os responsáveis pelo local entendam a necessidade de cumprir à lei.” A medida, no entanto, não afeta o funcionamento do CTG, que tem um termo de cessão da área até 2020. Conforme o procurador, os artigos 36 e 126 do Código de Posturas Municipal, nos parágrafos 1 e 2, tratam da proibição de criação de animais em áreas públicas ou dentro de perímetro urbano que cause incômodo aos vizinhos. “O termo de cessão da área, que pertence à prefeitura, é claro quanto ao uso exclusivo para o exercício da cultura tradicionalista”, acrescentou.
Morador há 26 anos do Cohab A, o aposentado José Luiz Moreira da Silva, 64 anos, é o autor das denúncias na Ouvidoria da prefeitura. Ele disse que os moradores não são obrigados a conviver com o cheiro do esterco dos cavalos e com o barulho das festas dos finais de semana. “Só quem vive 24 horas no bairro é que sabe o quanto é insuportável ter que aguentar barulho de música na madrugada e cheiro dos dejetos dos animais.”
CTG pode encerrar atividades
Com a retirada dos 12 cavalos, o CTG Pialo da Saudade corre o risco de encerrar suas atividades. A afirmação foi feita pelo patrão da campeira Orenildo Azevedo. “Sem os animais, não temos como realizar as provas da escolinha de tiro de laço para meninos e meninas da comunidade que aprendem o respeito às tradições gaúchas”, explicou.
Conforme Azevedo, uma parte dos moradores, que são favoráveis à presença do CTG no local, realizaram um abaixo-assinado com mais de 400 assinaturas para que sejam mantidos os animais no local e que o espaço não seja fechado. “Gostaria de deixar claro que não utilizamos o local como hotelaria de cavalos e nem cobramos aluguel pela permanência dos animais.” Ele enfatizou ainda que no terreno não são criados cavalos. “Os animais são fundamentais para a invernada campeira e são utilizados em provas de laço e de rédea organizadas pela entidade. Invernada campeira sem cavalos significa que não existe CTG.” Moradores dizem que o CTG é uma referência para a comunidade.