Saber quantos animais de estimação há em cada lar é fundamental para que um país programe campanhas de vacinações contra importantes doenças, como a raiva. Mas, apesar das constantes recomendações do segmento veterinário desde 1997, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mais uma vez não inclui as questões na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgada em meados de novembro, como uma previa do levantamento sobre a realidade populacional do país.
Entidades do setor, como o Sindan (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal), a Anclipeva (Associação Nacional Clínico de Pequenos Animais), e a Anfalpet (Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos e Assessórios para Animais de Estimação), entre outras, são unânimes ao afirmar que a exclusão destes dados das pesquisas reflete negativamente no impacto de algumas ações relacionadas à saúde pública.
O questionário de Amostra de Domicílios tem 81 perguntas e é respondido por apenas uma parte da população. As questões são resultado de várias discussões internacionais que procuram identificar estatísticas e retratar a população. Segundo a assessoria de imprensa do IBGE, o maior motivo para a exclusão destes dados é o custo. Quanto maior o questionário, mais caro e demorado fica. Para o Censo 2010, o IBGE prevê um gasto de R$ 1,4 bilhões.
Milson Pereira, diretor executivo do Sindan questiona como o governo poderá prever a quantidade dos materiais a serem distribuidos para campanhas de vacinação anti-rábica se o número de animais por município é desconhecido.
- Hoje, os Ministérios da Saúde e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento não dispõem de informações que permitam uma programação que seja confiável, podendo enviar quantidades insuficientes a uma cidade e em excesso para outras
Para auxiliar as empresas de saúde animal no direcionamento de suas ações, o Sindan trabalhou em uma pesquisa para mapear a população pet no Brasil. O levantamento estimou que o país conta hoje com 25 milhões de cães e sete milhões de gatos nas classes A, B e C. Porém, a inclusão da contabilidade de animais de estimação no censo, possibilitaria aumentar o conhecimento sobre o número de pets por estados e municípios, o que é relevante para o planejamento de ações voltadas para a saúde humana e animal.
As informações são do R7
Censo 2010 desconsidera os animais de estimação
Medida pode comprometer eficácia de campanhas como a vacinação anti-rábica