A governadora também assegurou a oferta do fármaco Palivizumabe, utilizado no combate ao vírus Sincicial Respiratório (VSR), até então fornecido essencialmente por meio de determinação judicial. O VSR é o maior causador das bronquiolites no fim do outono e no início do inverno. A meta é disponibilizar o Palivizumabe para crianças menores de 12 meses que nascem prematuras - em média 500 por ano.
Yeda salientou que a iniciativa poderá reduzir em até 70% a taxa de internação de bebês, além das complicações inesperadas nas UTIs Neonatais e doenças pulmonares crônicas. “Estamos propondo a imunização dos prematuros menores de 28 semanas de idade gestacional ou que tenham peso igual ou inferior a 1,25 quilo ao nascer.
Ambulatórios especializados no monitoramento de recém-nascidos
De acordo com Yeda, os Cries terão a incumbência de acompanhar os bebês de risco mensalmente, após deixarem a UTI Neonatal. “Vamos pactuar com as prefeituras para a criação de ambulatórios especializados para o monitoramento desses recém-nascidos”, explicou. O Rio Grande do Sul tem a menor taxa de mortalidade infantil do país, conforme apurou o IBGE. Em 2008, o coeficiente chegava a 13,1 óbitos para cada mil nascidos vivos. Em 2009, caiu para 11,52 por mil, representando redução de 12%. “Trabalhamos para reduzir para menos de 10 por mil nascidos vivos”, assinalou Yeda.
A secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, destacou que os hospitais que abrigarão os Cries atenderão, em média, 2 mil recém-nascidos anualmente. Destes, cerca de 1,2 mil sobrevivem fundamentalmente devido ao acesso aos leitos de UTI Neonatal. “Por ocasião da alta hospitalar, grande parte deles apresenta inúmeras situações de saúde decorrentes das sequelas da prematuridade, necessitando de cuidados diferenciados em nível ambulatorial”, enfatizou.
Vírus é mais frequente nas regiões Sul e Sudeste
O coordenador do Serviço de Pediatria-Neonatologia do Hospital Universitário, Paulo Nader, destacou que o maior número de internações e quadros de crianças que necessitam de UTI Pediátrica está entre os bebês que recebem alta da UTI Neonatal e correm risco de óbito. “Nos meses de outono e inverno, esses bebês estão mais suscetíveis ao VSR, que causa a maioria das bronquiolites em crianças com menores de um ano”, ressaltou.
Nader afirmou que o VSR é o mais frequente e também o mais agressivo, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. “Poucos estados oferecem o fármaco Palivizumabe, por ser caro e específico. Agora, o RS está adotando esta política de saúde que vai reduzir a mortalidade no primeiro ano de vida dos prematuros”, frisou. O medicamento já será aplicado a partir deste mês no Hospital Universitário.