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Cerca de 15 mil alunos religiosos farão o Enem em horário alternativo

Para judeus, fazer a prova envolve uma série de desafios como ir a pé ao local de prova

Neste sábado, cerca de 15 mil estudantes farão a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em um horário especial. São candidatos religiosos, em sua maioria judeus e adventistas, que consideram o sábado um dia sagrado, no qual não pode haver nenhuma atividade até o período noturno.

Para atender a estes estudantes, o Inep – órgão do Ministério da Educação responsável pela organização do Enem – disponibilizou salas especiais onde os religiosos ficarão isolados antes de começar a prova. Apesar de os sabatistas, como são chamados os alunos nessas condições, serem obrigados a chegar ao local de prova no mesmo horário dos demais estudantes – os portões fecham às 12h55 –, eles farão a prova só depois de o sol se pôr, a partir das 19h (horário de Brasília).

Para os adventistas, o sábado é um dia em que todas as suas atividades devem ser voltadas à sua crença. Os estudantes aproveitam a data para ir à igreja e confraternizar com os amigos – sempre por meio de práticas religiosas. A comunidade adventista considerou positiva a alternativa oferecida pelo MEC. Segundo o diretor de liberdade religiosa da igreja na América Latina, pastor Edson Rosa, é a primeira vez que o governo abre este tipo de espaço para os religiosos. "É um reconhecimento e um respeito à crença individual de cada pessoa. Os alunos adventistas não vão ter nenhum privilégio e vão ser preservados da sua consciência", disse.

A estudante adventista Caroline Martins vai prestar vestibular para ciências contábeis e pela primeira vez fará a prova em um horário alternativo. "Eu achei muito interessante porque foi uma forma de respeitar a nossa doutrina. Quando soubemos que a prova seria no sábado, ficamos desesperados. Só Deus sabe o quanto a gente ficou feliz [com o horário especial]. Uma oportunidade como essa é muito difícil de acontecer. Para nós, adventistas, foi muito importante, eles não vão se arrepender de ter nos dado esta chance", comemorou a estudante.

Caroline vai aproveitar as 7 horas de espera antes de começar a prova para “meditar em Deus e relaxar”.

Judeus

Assim como os adventistas, os judeus guardam o sábado para se dedicar à religião. No entanto, para estes estudantes, fazer a prova do Enem é uma tarefa complicada. Isto porque durante o Shabat, como é chamado período que vai do pôr do sol de sexta-feira ao pôr do sol de sábado, os judeus não podem executar nenhum tipo de trabalho. Isso inclui tarefas como cozinhar, andar de carro, pegar ônibus e carregar qualquer objeto – mesmo uma caneta ou um caderno.

O coordenador pedagógico do Centro Educacional de Religião Judaica, professor Osvaldo Piffer, explica a dificuldade que um aluno de sua escola teria para fazer o Enem: "Ele deveria levar um lanche para poder se alimentar durante a prova e o material com lápis, caneta e documentos no dia anterior do exame e deixar com alguém no local de prova. No dia, ele teria que fazer todo o percurso até o local a pé, chegar por volta de 12h, e esperar cerca de sete horas para começar a prova."

Para Piffer, todo este procedimento coloca o candidato judeu em condições de desigualdade com outros estudantes. Isso levou os alunos do centro educacional a entrarem com uma ação para que eles fizessem a prova em outra data – a decisão foi cassada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

"Nós consideramos que este confinamento não é democrático, é anti-pedagógico. Nosso aluno entraria na prova em condição desigual e, por isso, eles entraram com a ação e nós apoiamos", disse o coordenador.

As informações são do R7.