Uma cerimônia celebrou hoje os 25 anos de transplantes cardíacos no Rio Grande do Sul - comemorado em junho de 2009 - no saguão do Instituto de Cardiologia (IC). Médicos, enfermeiros e transplantados celebraram juntos o sucesso da solidariedade.
O clima festivo foi eternizado por um registro fotográfico. O diretor-presidente do IC, Ivo Nesralla, recordava que, em 1/4 de século, realizou 206 procedimentos, sendo 186 em adultos e 20 em crianças. "Dois dos pacientes realizaram transplantes cardiopulmonar", recordou.
O clima de festa era resultante da alegria de viver. Nesralla lembra que, no princípio, 60% dos transplantados tinham sobrevida média de, no máximo, cinco anos. "Atualmente, 70% conseguem viver mais 10 anos", comparou. Mas toda a regra tem exceção. Submetido a transplante em 16 de maio de 1989, o professor aposentado José Carlos Cechella é o mais antigo transplantado vivo da região Sul do Brasil. "Na época eu tinha 35 anos e estava à beira da morte, em uma UTI, em consequência de três paradas cardíacas decorrentes de miocardiopatia dilatada", relatou.
Cechella aproveitou o momento para mais uma vez agradecer aos familiares de José Levi Rodrigues, que teve morte cerebral diagnosticada após um acidente de trânsito. "Ganhei uma nova família e, literalmente, uma filha do coração", comentou. A filha de Rodrigues, Lilian Beatriz, tinha apenas um ano quando o pai morreu. "No dia em que ela casou a levei até o altar", assinalou Cechella, que vive em Santa Maria.
Outro que esbanjava saúde era o aposentado Laurindo Fritsch, 68, que tem um novo coração pulsando dentro do peito desde 26 de agosto de 1998. "Fui operado há 11 anos e ainda não consegui descobrir onde vivem os familiares da pessoa que me salvou a vida", disse. Na época da cirurgia, Fritsch residia em Novo Hamburgo. Devido às variações climáticas, optou por fixas residência em Itapema (SC). "Quando me mudei para perto do mar tomava 14 tipos de medicamentos. Hoje tomo apenas quatro", sintetizou Fritsch.
O também transplantado Luiz Carlos Santos, operado em 16 de julho de 1995, logo avisou: "Tenho um corpo com 58 anos de uso e um coração de 31 anos". O doador de Santos tinha 17 anos quando morreu vítima de um disparo acidental de revólver.
Cerimônia marca os 25 anos de transplantes cardíacos no Estado
Médicos, enfermeiros e transplantados festejaram hoje no saguão do Instituto de Cardiologia