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Cheia do Guaíba provoca retirada de moradores de ilhas em Porto Alegre

Barracas improvisadas foram montadas pela Defesa Civil

Cheia do Guaíba provoca retirada de moradores de ilhas em Porto Alegre
Cheia do Guaíba provoca retirada de moradores de ilhas em Porto Alegre Foto : Fabiano do Amaral
Em questão de dois dias a região das Ilhas de Porto Alegre já se encontra embaixo d’água. Nas Ilhas do Pavão, Grande dos Marinheiros e da Pintada, a situação está complicada. Muitos moradores deixaram suas casas e estão passando seu tempo em barracas improvisadas com lonas repassadas pela Defesa Civil. O estado de alerta foi decretado, pois o nível do Guaíba, de acordo com o Centro Integrado de Comando da Cidade de Porto Alegre (Ceic), atingiu 2,65 metros no final da manhã de sábado. Ainda conforme o Ceic, há alto volume de água para chegar ao Guaíba e, em seguida, à Lagoa dos Patos.

As amigas Helen Borges, de 14 anos e Merilin Teixeira, de 21 anos, moram na Ilha do Pavão desde pequenas e disseram que isto sempre acontece. “Minha casa está completamente alagada. Estou dormindo em barraca improvisada na beira da estrada desde quinta-feira”, explicou Helen. Outra amiga de Helen e Merilin, a Pâmela Garcia, de 26 anos, está grávida e passou muito frio à noite, pois sua casa já está tomada pela água. “É difícil, né. A água chega quase na cintura, não consegui nem pegar uma roupa para o meu filho de um ano”, desabafou Pâmela. Segundo ela, todo ano acontece a mesma coisa. “Mas eu não tenho outro lugar pra ir”, disse Pâmela.

A entrada para a Ilha da Pintada está bloqueada por conta do acúmulo de água na via. “Só de barco para atravessar”, relatam os moradores. A maioria deles também está em barracas improvisadas. Na Ilha Grande dos Marinheiros, Cepervilho de Campos, de 60 anos, está passando as noites na casa de um amigo porque, na residência dele, a água já está acima da cintura. “De uns anos pra cá tá piorando. Não consegui pegar nada, só estou com a roupa do corpo. Quando a enchente vem, ela vem com tudo”, relatou Cepervilho. Após dois anos morando na Ilha dos Marinheiros, a dona Albertina Barcelos, de 68 anos, contou que já passou por três enchentes. “Eu perdi tudo e até agora ninguém veio ajudar”, contou Albertina. Segundo ela, a água já está acima do peito na residência, localizada no beco 18.

Para auxiliar no restabelecimento da normalidade, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul organizou um mutirão, com nove equipes distribuídas pelo Estado afim de auxiliar prefeituras na organização de abrigos, entregar materiais de ajuda humanitária, bem como prestar orientações técnicas para possíveis decretos de Situação de Emergência. Até o momento, nenhum decreto municipal foi recebido por esta Coordenadoria.