O presidente da subsidiária brasileira da petrolífera, George Buck, calculou em 2,4 mil barris (381,6 mil litros) volume total de petróleo vazado no Campo de Frade. O acidente ambiental foi detectado no último dia 8, quando funcionários da Petrobras avisaram à Chevron sobre uma mancha de óleo na água.
Essa foi a primeira estimativa feita pela empresa sobre o total de óleo que vazou no desastre. Buck disse que todos os esforços estão sendo feitos para retirar o petróleo que vazou e que a companhia está utilizando materiais permitidos pelo Ibama para fazer esse trabalho. "Não colocamos nem areia nem farinha na contenção da mancha", disse.
Empresa assume responsabilidade
Buck voltou a assumir total responsabilidade da empresa pelo vazamento e ressaltou que o produto será retirado da superfície. "É inaceitável qualquer óleo na superfície e vamos tomar todas as providências para isso." O executivo isentou de qualquer culpa pelo acidente os funcionários e equipamentos da empresa Transocean, responsável pela perfuração do poço, a mesma envolvida no desastre do Golfo do México, em 2010, quando operava para a British Petroleum (BP).

Vazamento poderia ter sido evitado
O secretário de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc, afirmou nesta segunda-feira que o vazamento de óleo na Bacia de Campos poderia ter sido evitado. Segundo ele, vazaram cerca de 25 mil barris, porque houve falha no estudo de geologia marinha e "erros crassos" da Transocean, empresa que fez a perfuração do poço. Minc disse ainda que a Chevron é corresponsável pelos erros cometidos pelas companhias contratadas para a exploração de petróleo no local. "Esse acidente poderia ter sido evitado. Não foi um raio do céu azul ou uma falha humana", afirmou Minc em entrevista à rádio Estadão/ESPN.
O secretário disse que a Chevron cometeu crime ao não informar de forma correta a extensão do problema. "É certo que a Chevron subestimou e informou de forma incorreta os dados do acidente e durante dez dias não deu uma resposta adequada ao vazamento", afirmou. Para ele, os procedimentos utilizados em caso de vazamento deveriam estar claros e prontos para serem colocados em operação antes do acidente. "A limpeza foi outro ponto falho. Observação aérea não avistou navios retirando o óleo, só utilizando jatos d''água do mar para dispersar a mancha."
Divergência de números
Após ter sobrevoado o Campo do Frade para avaliar a dimensão do vazamento de petróleo ocorrido na semana passada, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, disse nesta segunda-feira que a mancha de óleo é muito maior do que anunciou a Chevron. Ele disse ter visto “muitas borbulhas” na superfície do mar, o que prova que o vazamento de óleo ainda continua.
O secretário do Ambiente afirmou que apoia as sanções administrativas e criminais a serem aplicadas pelo Ibama, Ministério Público e Polícia Federal, respectivamente, e que a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) do Rio de Janeiro vai cobrar da empresa reparação por eventuais danos causados à biodiversidade marinha.