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Chuva alaga cidades catarinenses e deixa moradores ilhados

Defesa Civil contabiliza 788 mil moradores afetados pela enchente

Cerca de 280 mil moradores de Blumenau (93% da cidade) foram afetados
Cerca de 280 mil moradores de Blumenau (93% da cidade) foram afetados Foto : Marcelo Martins / Secretaria de Comunicação de Blumenau
A enchente que atinge o Estado de Santa Catarina já afeta 788.012 moradores, segundo o último boletim da Defesa Civil, emitido na tarde desta sexta-feira. O número de desalojados chega a 55.463 e o de desabrigados, 8.120. Ao todo, 9.685 residências foram danificadas, 110 delas de propriedade pública. Muitas pessoas estão ilhadas em razão dos alagamentos.

Rio do Sul, no Vale do Itajaí, que está isolada dos municípios vizinhos, é uma das cidades com maiores estragos. Conforme a prefeitura, 80% das famílias foram atingidas pela cheia do Rio Itajaí-Açu, que chegou a 12,87 metros acima do nível normal e sobe seis centímetros a cada hora. Cerca de 30 mil pessoas estão ilhadas.

O prefeito da cidade, Milton Hobus, decretou situação de calamidade pública. Conforme o chefe do executivo, escolas, indústria e comércio estão fechados e quase todos os postos de saúde foram inundados.

Em Brusque, outra cidade afetada pela cheia do Rio Itajaí-Açu, cerca de metade dos 110 mil moradores foi afetada pelas cheias. Todos os bairros da cidade estão alagados e há pessoas ilhadas em cima de telhados de casas. A prefeitura decretou estado de calamidade pública na manhã desta sexta-feira.

A enchente que atinge o município é pior do que a ocorrida em 1984, quando as águas provocaram diversos estragos nas cidades da região. Conforme o prefeito Paulo Roberto Eccel, fábricas dispensaram os funcionários do trabalho desde quarta-feira por conta dos alagamentos. A cidade enfrenta também falta de energia e de abastecimento de água.

Em Blumenau, também no Vale do Itajaí, mais de 70% da população está sem água e sem luz. Segundo o prefeito João Paulo Kleinübing, as águas continuam subindo, embora a chuva tenha parado. Ele calcula que sejam necessários pelo menos R$ 3 milhões somente para fazer a limpeza e recuperar ruas atingidas.


Em Blumenau, no Vale do Itajaí, mais de 70% da população está sem água e sem luz | Crédito: Nelson Aintoine / AE

Situação de emergência e estado de calamidade pública


Quatro municípios catarinenses – Brusque, Taió, Lontras e Rio do Sul – decretaram estado de calamidade pública por causa das inundações e dos deslizamentos de terra. Outras 32 cidades assinaram o decreto de situação de emergência e 73 municípios enviaram a Notificação Preliminar de Desastre (Nopred), que antecede a emergência.

A diferença entre estado de calamidade pública e situação de emergência é que, no primeiro caso, devido à ocorrência de desastres considerados de grande porte, o município atingido somente se recuperará por meio da ajuda dos governos estadual e federal e de órgãos externos.

Já a situação de emergência é caracterizada pela ocorrência de desastre de grande porte cuja intensidade não impede que o município atingido resolva a situação com recursos próprios, mas sem abrir mão da necessidade de complementação do governo estadual e federal.

Duas pessoas mortas


Duas pessoas morreram, mas a Defesa Civil só confirma a morte de uma – em Guabiruba, ontem. Na manhã desta sexta-feira, um adolescente morreu eletrocutado pela fiação pública ao navegar no Rio Pamplona. Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente aconteceu próximo ao trevo de Laurentino, no acesso da BR 470 a Rio do Sul, no Vale do Itajaí. Um outro adolescente que estava no barco ficou ferido e foi encaminhado ao hospital do município.

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