A chuva que começou nessa quarta-feira e prossegue nesta sexta, em Porto Alegre, causou pontos de alagamento, prejudicou o trânsito de veículos e afetou a passagem de pedestres em algumas regiões nessa manhã. Os moradores do bairro Navegantes viram mais uma vez a rua Voluntários da Pátria coberta de água, embaixo da Ponte do Guaíba. O problema no local é antigo e, a cada precipitação, fica intransitável.
“Tive que dar uma volta e atravessar do outro lado. Sempre que chove é assim”, disse a dona de casa Rosimar dos Santos, 40 anos. A recicladora Rosa Cecília Lintz, 59, agradeceu ao motorista de ônibus que parou um pouco antes da parada para que ela não ficasse com a água pelos joelhos, na Voluntários da Pátria onde desceu. “Já estamos acostumados. Lá na minha casa, no Beco X, bairro Navegantes, também alaga tudo. Por enquanto, ainda está tranquilo, mas se continuar chovendo, fica alagado”, observou.
Na avenida A.J. Renner, a situação era semelhante em frente à 9ª Superintendência da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Pela via, passam diversos caminhões, que ficaram com a água até a parte superior das rodas. Na região, há várias áreas irregulares de descarte de lixo e boa parte dele estava espalhado pelas calçadas.
O diretor da Divisão de Conservação do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), engenheiro civil Paulo Guilherme Barcellos, explicou que os dejetos são responsáveis pela dificuldade de vazão na Zona Norte. Ele disse que há um sistema de drenagem, composto por bocas de lobo e rede pluvial. A água é conduzida para uma casa de bomba da Trensurb, que é responsável pela manutenção. “O DEP não tem gerência. Devido ao lixo que fica na grade de proteção dos motores, há falta de capacidade para o bombeamento”, ressaltou.
Na A.J. Renner, o engenheiro atribuiu o problema a outras causas. “Quando a Arena do Grêmio e os viadutos do entorno foram construídos, foi criado um obstáculo do curso daquela água e, com isso, diminuiu a vazão. Estão sendo elaborados projetos para solucionar o gargalo e abrir uma licitação. “A região é muito baixa. Era um banhado e tem que fazer galerias mais largas e menos profundas”, ressaltou.
Barcellos disse que nas outras regiões de Porto Alegre, as reclamações foram pontuais e as equipes estavam nas ruas para atender aos chamados. Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), houve acúmulo de água também na avenida Bento Gonçalves com a Aparício Borges. A Defesa Civil municipal não registrou alagamentos em residências. ?