A chuva deu uma trégua para os moradores das áreas ribeirinhas da região Metropolitana. Apesar de o nível dos mananciais ter reduzido, ainda existem pontos de alagamentos e barro nas principais vias de acesso às moradias. Na Praia do Paquetá, no bairro Mato Grande, na zona rural de Canoas, o rio dos Sinos recuou 25 centímetros entre a tarde de domingo e as primeiras horas da manhã de hoje. Mesmo assim, o Sinos ainda apresentava elevação de 1,6 metro. “O vento favorável facilitou”, disse o titular da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, Mauro Guedes.
Embora ainda houvesse acúmulo de água nas terrenos mais baixos da região, a mobilidade foi facilitada. Desde a manhã de sexta-feira, apenas veículos de grande porte ingressavam na Praia do Paquetá, onde vivem 59 famílias. Algumas pessoas já utilizavam caíques para realizar os deslocamentos. “Manteremos monitoramentos frequentes, pois sabemos que na eventualidade de um vento Sul a situação voltará a se agravar”, assinalou.
Já na Capital, as atenções estão voltadas para as ilhas que compõem o bairro Arquipélago. Apesar de não ter ocorrido enchentes como nos anos anteriores, existem vários pontos de alagamento e de acúmulo de água nos terrenos. Na Ilha Grande dos Marinheiros, por exemplo, há lâminas d’água sob praticamente todas as moradias da rua Nossa Senhora Aparecida. Em alguns pontos, as casas de palafita estão totalmente cercada pela água.
“Para nossa sorte parou de chover”, comentou a dona de casa Rosa Santiago, 57. Segundo ela, não bastasse a área alagadiça, os moradores também enfrentam dificuldades com os atoleiros que se formaram na principal via de acesso às moradias. Os irmãos Karine e Luciano Lopes Alves, com 12 e 10 anos respectivamente, utilizaram garrafas PET e tábuas para confeccionar uma espécie de prancha flutuante. Por volta das 10h de ontem, eles “navegavam” pelo trecho alagado, acompanhados do cão Gurizinho.
Os moradores avaliam que a situação estaria menos complicada se não houvesse acúmulo de barro principalmente no acesso aos becos. Em alguns pontos, somente é permitido o acesso por meio de carroça ou tratores. O coordenador da Defesa Civil, Léo Antônio Bulling, descarta a possibilidade de enchente nas ilhas. “O Guaíba tem se mantido 1,3 metro acima do nível normal”, frisou. Segundo ele, há risco de transbordamento quando o nível se aproxima de 1,7 metro. “Estamos acompanhando a evolução dos afluentes”, disse.
Chuva dá trégua e nível do rio dos Sinos diminui
Moradores das áreas ribeirinhas seguem em estado de alerta