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"Chuva de teias de aranha" pode se estender por mais alguns dias, explica professor

Fenômeno chamou a atenção das pessoas nas ruas de Porto Alegre

Teias de aranha são vistas em vários pontos da Capital
Teias de aranha são vistas em vários pontos da Capital Foto : Eric Raupp / Especial / CP
Um fenômeno inusitado nas ruas de Porto Alegre surpreendeu pedestres que caminhavam pela cidade na manhã e no começo da tarde desta sexta-feira. Inúmeros postes e até mesmo prédios amanheceram parcialmente cobertos por teias de aranha. Na rua Siqueira Campos, no centro da Capital, placas de sinalização serviam de suporte para o material branco produzido pelos aracnídeos, que se desprendiam e voavam pelo céu. Nas redes sociais, usuários comentaram sem entender a aparição da "chuva de teia".

As teias eram percebidas em diversos bairro de Porto Alegre. Além dos fios que se enroscavam nas roupas dos pedestres, era possível avistá-los presos na rede de alta tensão e nas placas de sinalização e caídos sobre os veículos. Não bastasse as teias, nos bairros Humaitá, Farrapos e Navegantes aranhas invadiram casas e apartamentos não atingidos pelas cheias. 



"Estava sentada no sofá quando fui surpreendida por uma aranha grande e com as patas peludas perto da porta", relatou a universitária Eduarda Nunes, 21. Apavorada, a jovem optou por eliminar a visitante, mas ficou temerosa. "Como não sabia se a aranha estava só, revirei a casa em busca de outras. Por sorte, não encontrei", comentou.

Segundo o professor Renato Teixeira,  coordenador do laboratório de aracnologia da PUCRS, o fenômeno deve se estender por mais alguns dias. Ele explicou que a aranha, após levar os ovos, carrega todos eles numa grande teia. À medida que vão eclodindo, a aranha, para evitar um canibalismo entre os filhotes, sobe numa área alta até encontrar uma corrente de vento que possa levá-los para longe. Dessa forma, vai soltando a teia e algumas aranhas-filhotes são levadas.

Renato acredita que trata-se da espécie conhecida como aranha da grama  (Lycosidae), mas ressaltou que sem examinar um espécime não tem como garantir. Ele destacou que em Santa Maria e Pelotas é mais comum, por se tratar de áreas mais abertas.

"Eu nunca tinha visto na cidade, mas não existe razão para se preocupar com nenhuma invasão. Trata-se de algo natural, é apenas um mecanismo de dispersão da espécie", disse. Ele ainda fez uma defesa do aracnídeo. " Sem elas, não teríamos o controle de moscas e mosquitos que são vetores de muitas doenças".