As teias eram percebidas em diversos bairro de Porto Alegre. Além dos fios que se enroscavam nas roupas dos pedestres, era possível avistá-los presos na rede de alta tensão e nas placas de sinalização e caídos sobre os veículos. Não bastasse as teias, nos bairros Humaitá, Farrapos e Navegantes aranhas invadiram casas e apartamentos não atingidos pelas cheias.
"Estava sentada no sofá quando fui surpreendida por uma aranha grande e com as patas peludas perto da porta", relatou a universitária Eduarda Nunes, 21. Apavorada, a jovem optou por eliminar a visitante, mas ficou temerosa. "Como não sabia se a aranha estava só, revirei a casa em busca de outras. Por sorte, não encontrei", comentou.
Segundo o professor Renato Teixeira, coordenador do laboratório de aracnologia da PUCRS, o fenômeno deve se estender por mais alguns dias. Ele explicou que a aranha, após levar os ovos, carrega todos eles numa grande teia. À medida que vão eclodindo, a aranha, para evitar um canibalismo entre os filhotes, sobe numa área alta até encontrar uma corrente de vento que possa levá-los para longe. Dessa forma, vai soltando a teia e algumas aranhas-filhotes são levadas.
Renato acredita que trata-se da espécie conhecida como aranha da grama (Lycosidae), mas ressaltou que sem examinar um espécime não tem como garantir. Ele destacou que em Santa Maria e Pelotas é mais comum, por se tratar de áreas mais abertas.
"Eu nunca tinha visto na cidade, mas não existe razão para se preocupar com nenhuma invasão. Trata-se de algo natural, é apenas um mecanismo de dispersão da espécie", disse. Ele ainda fez uma defesa do aracnídeo. " Sem elas, não teríamos o controle de moscas e mosquitos que são vetores de muitas doenças".