O mau tempo na região da Campanha e da Fronteira Sudoeste, com chuva e rajadas de ventos, está dificultando as ações de assistência às famílias atingidas por enchentes e temporais registrados nos últimos dias. Dom Pedrito, um dos municípios mais afetados, registra um total de 350 famílias desalojadas e 120 pessoas recolhidas aos abrigos do Ginásio de Esportes, do Centro Comunitário da Vila Geni e da Escola Alda Seabra.
O rio Santa Maria que atravessa a cidade está 5,4 metros acima do normal, mas poderá subir mais em razão das chuvas registradas nesta segunda-feira. Conforme a secretária municipal de Assistência Social de Dom Pedrito, Helena Coradini, muitas pessoas que estavam nos abrigos decidiram voltar para casa, apesar das condições adversas. As que ainda permanecem nos abrigos são aquelas que perderam praticamente tudo. Essas necessitam de alimentos, agasalhos, móveis e utensílios domésticos.
Um levantamento realizado pela Defesa Civil municipal e a prefeitura apontou que mais de 13 mil pessoas sofreram com o temporal. Mesmo com a queda no nível do rio Santa Maria, a secretária de Assistência Social recomenda que tanto os desabrigados como os desalojados permaneçam onde estão. As pessoas que precisarem de ajuda devem procurar o órgão para realizar o cadastramento.
Bagé
Em Bagé, 24 pessoas ainda estão abrigadas na Escola São Pedro. Elas pertencem às famílias mais prejudicadas com a enchente do Arroio Bagé, registrada na última quarta-feira, quando 17 casas foram totalmente destruídas e 27, prejudicadas. Nos últimos dias, campanhas assistências realizadas por órgãos públicos, instituições e caridade, Defesa Civil e comunidade em geral já arrecadaram dezenas de móveis e produtos domésticos que são encaminhados para o abrigo na Escola Municipal São Pedro.
O trabalho de limpeza e recuperação das casas, móveis e utensílios, está inviabilizado em razão do mau tempo. Segundo a coordenadora do Programa do Cidadão Bajeense (Prociba), Cláudia Corral, seis famílias integrantes do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) que residem em barracos na Vila Bela Vista, tiveram que ser socorridas nesta segunda-feira pela manhã. Elas receberam alimentos e agasalhos.
Entre-Ijuís
Em Entre-Ijuís, na região das Missões, nove famílias estão ilhadas na comunidade da Serra de Baixo – localidade de Presidente Vargas. Devido à chuva, um refluxo do rio Ijuizinho, deixou 25 pessoas isoladas, entre elas cinco crianças. Segundo moradores, esse foi o quinto alagamento em 2009. “Desde que a prefeitura retirou uma ponte seca que existia no local, cada vez que chove forte nós ficamos ilhados”, disse Cesar Langer, que reside na localidade. O secretário de Obras do Entre-Ijuís, Armindo Leirias, diz que a ponte foi retirada porque não permitia o trânsito de veículos pesados. “Infelizmente não temos dinheiro para reconstruir a ponte neste ano. Vamos elaborar um projeto para 2010”, afirmou. No município de Entre-Ijuís, só neste mês de novembro já choveu 446 milímetros.
Uruguaiana
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Moacyr Ramos Martins foi interditada por 48 horas, na manhã desta segunda-feira, em Uruguaiana. Segundo a diretora, Kátia Carvalho Tellechea, a chuva provocou danos em telhas e calhas. Após análise dos bombeiros e técnicos da Secretaria de Educação, ficou definido que aulas só voltarão na quarta-feira. A escola tem 1,4 mil alunos, 82 professores e 20 funcionários.
Na cidade, a maioria dos bairros foi afetada pela chuva. Bueiros entupidos por lama e lixo impedem o escoamento das águas. O rio Uruguai está com 8,86 metros. Segundo Paulo Woutheres, coordenador da Defesa Civil, a situação é preocupante pois a chuva não cessa.
Os números que estão sendo registrados sobre as enchentes no município revelam que estas deverão ser uma das maiores dos últimos tempos. Ontem (23.11), durante a tarde, o rio Ibirapuitã estava 11 metros acima de seu nível com previsão de chegar a 12 metros. Com as fortes chuvas que voltaram a cair no dia de ontem, o rio estava subindo em média 30cm a cada hora. O prefeito Erasmo Silva, reunido no final da tarde de domingo com seu secretariado e Defesa Civil, tomou a decisão de decretar estado de emergência no Município.
Alegrete
Em Alegrete, o número de famílias desabrigadas passa de 300, já o número de desalojados é de cerca de 1,2 mil pessoas. São aproximadamente 20 bairros atingidos na cidade. Depois de lotar o ginásio de esportes do Instituto Estadual de Educação Oswaldo Aranha, o Ciep Doutor Romário e antigas instalações da Cintea (Companhia Intermunicipal de Estradas Alimentadoras), a Defesa Civil abriu outro local para receber desabrigados dos bairros da zona Leste da cidade.
No domingo, a passagem da ponte Borges de Medeiros foi interditada sobre o rio Ibirapuitã que é uma das principais entradas da cidade e serve de ligação do centro à zona Leste da cidade onde habitam cerca de 17 mil pessoas. Os motoristas agora tem de fazer um desvio de mais de 10 km pela BR-290. Outras duas pontes que servem de travessia para os quartéis estão submersas, sendo utilizada uma terceira ponte na rua Daltro Filho, zona Oeste do município. A avenida Eurípedes Brasil Milano, em uma extensão de 3km, do sentido Sul a Leste, está com o trânsito interrompido em dois locais devido ao avanço das águas.
O Instituto Estadual de Educação Oswaldo Aranha suspendeu as aulas para o ensino médio e fundamental no prédio novo da escola, localizado na rua General Sampaio, porque o segundo piso foi totalmente alagado e há situação de risco devido à infiltração atingindo a rede elétrica. O Exército estás auxiliando a população com a remoção das famílias atingidas pela enchente, também alimentos aos desabrigados. São 10 viaturas e 40 homens trabalhando junto com a Defesa Civil.
Santa Maria
A Defesa Civil de Santa Maria começou a prestar apoio às famílias que residem no distrito do Passo do Verde, localizado às margens da BR-392. O balneário que tem o mesmo nome do distrito foi tomado pelas águas do rio Vacacaí. A segunda-feira foi de muito trabalho para os moradores. Animais domésticos, móveis e carros foram retirados dos locais atingidos. Um carro Fiat foi tomado pelas águas. A chuva forte que atingiu a região na parte da tarde de hoje, aumentou a preocupação, pois o aumento do nível do rio deixou mais pessoas desabrigadas. Segundo o primeiro levantamento da Defesa Civil, 400 casas foram afetadas pelas águas do rio.
Chuva dificulta remoção de famílas atingidas no interior
Região da Campanha é uma das mais afetadas pelos temporais no Rio Grande do Sul