O contraste entre a chuva e o retorno do sol em Capão da Canoa mostra que a perspectiva de temporais na região Sul está mais distante. Na beira da praia, as pessoas começam a voltar à sua caminhada. Apesar da precipitação forte que caiu pela manhã, e que deixou muitas ruas com pequenos pontos de alagamento, a tarde é de tempo normal, com vento fraco, que mal mexe com as árvores do calçadão, soprando com pouco mais de 20km/h. O mar continua agitado, mas sem o registro de ressaca mais intensa. A maior formação de nuvens ainda pode ser observada em direção ao Norte da faixa litorânea gaúcha. Mesmo assim, já dá sinais de que a tempestade ou depressão tropical, está, realmente, se afastando para alto mar.
A melhoria nos modelos também determinou o retorno do comandante da Coordenadoria de Defesa Civil estadual (Codec), major Aurivan Chiochetta, para Porto Alegre. Ele esteve em Tramandaí até a manhã de hoje, acompanhado pelo doutor em Meteorologia, pela Universidade Federal de Santa Catarina, Reinaldo Haas. "O professor fez uma avaliação positiva em relação aos modelos que vinham sendo apresentados pelos institutos e, localmente, pudemos constatar que o fenômeno da tempestade tropical se afasta da costa gaúcha e deve se dissipar no mar nas próximas horas", afirmou.
Mesmo assim, Chiochetta informou que uma equipe da Defesa Civil permanecerá no Litoral Norte. "É importante que mantenhamos o pessoal de sobreaviso para alguma eventualidade, mas nada nos faz crer que tenhamos problemas com relação ao fenômeno climático que circundava a faixa litorânea, principalmente nas proximidades de Tramandaí e Imbé, desde o início da noite de terça-feira", sustentou o coordenador. Por volta das 14h, o sol já aparecia em boa parte da praia de Capão da Canoa, aumentando a movimentação das pessoas e de automóveis nas ruas.
Deslocamento do ciclone
Segundo a MetSul Meteorologia, o ciclone se deslocou cerca de 100 quilômetros na direção Leste da costa gaúcha, se encaminhando para alto-mar. Na manhã desta quarta-feira, a MetSul rebaixou o status do ciclone de tempestade tropical (com ventos acima de 60 km/h) para depressão tropical (com ventos entre 30 e 60 km/h). O último boletim do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos indicou a diminuição da intensidade do sistema, de 2.5 para 2.0 na escala Dvorak de ciclones tropicais, sinalizando o enfraquecimento do sistema.
De acordo com os meteorologistas, o risco de ventos intensos no Litoral Norte é muito baixo, entretanto está mantido o alerta de chuva forte a intensa localizada e passageira no Leste do Estado, que pode trazer alagamentos. A instabilidade também pode atingir a Região Metropolitana. A tendência, contudo, é que o centro da tempestade fique em mar aberto até a sua dissipação.
Ciclone está cada vez mais distante do Estado, diz Defesa Civil
No entanto, equipe permanecerá no Litoral Norte para alguma eventualidade