Imagens de satélite mostram que a concentração de cinzas foi maior no Leste do Estado / Foto: MetSul / CP
Durante a manhã, a Força Aérea Brasileira (FAB) havia informado que não mais existiam cinzas no espaço aéreo brasileiro. “A nuvem de cinza vulcânica que cobria o Estado do Rio Grande do Sul está fora do espaço aéreo brasileiro e segue para o Oceano Atlântico”, disse a FAB em nota. O Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (GNA) noticiou ainda não haver indícios de formação de nova nuvem vulcânica em qualquer parte do país.
De acordo com a MetSul, as cinzas que estavam sobre o Estado neste sábado não vieram em uma nova nuvem do Cordón-Caulle, mas eram remanescentes da que estava em dispersão no Atlântico Sul e que foram trazidas para o Leste gaúcho por correntes de vento associados ao avanço de uma massa de ar frio pela costa. Nachtigall descreve como “nula” a possibilidade de ser fuligem (poluição ou queimadas) ou poeira em suspensão o que deixou o céu da Capital e de grande parte do Leste gaúcho com aspecto fosco neste sábado.
O Serviço Nacional de Geologia e Mineração do Chile (SERNAGEOMIN) e o observatório Vulcanológico dos Andes do Sul (OVDAS) informaram hoje que o vulcão manteve atividade estável em relação aos dias anteriores. As cinzas seguiam sendo expelidas a uma altura de 4 a 4,5 quilômetros de altura e a coluna eruptiva apresentava tonalidade mais branca. Equipes de geólogos do SERNAGEOMIN conseguiram fazer um sobrevoo do vulcão e constataram que o centro das emissões parte de uma cratera e não de uma fissura, como se acreditou desde o início da erupção há uma semana.
Imagem de satélite em alta resolução deste sábado mostrava a pluma emanada pelo vulcão avançando no sentido Leste até o mar e ainda uma extensa área da região patagônica coberta de cinzas depositadas em superfície e que eram carregadas pelo vento em direção ao mar.
Imagem de satélite mostrava a pluma emanada pelo vulcão avançando no sentido Leste até o mar / MetSul / CP
A nuvem principal de cinzas, emanada pelo vulcão, no último fim de semana está na Oceania. A empresa aérea australiana Qantas anunciou o cancelamento de diversos dos seus voos para a Tasmanânia, Sul da Austrália, e para a Nova Zelândia. O Volcanic Ash Advisory Centre de Darwin informou que todo o território da Nova Zelândia deve ser coberto pela nuvem de cinzas do vulcão chileno nos próximos dias. A MetSul não descarta que o avanço de uma nova massa de ar frio possa trazer mais uma vez as cinzas do vulcão Córdon-Caulle para a região de Buenos Aires e Montevidéu neste começo de semana, mas a probabilidade do Sul do Brasil voltar a viver um caos aéreo é considerada baixa.