Em razão da gigantesca nuvem de cinzas vulcânicas que cobre o norte da Europa, 16 mil dos 28 mil voos no continente já foram cancelados. Entre eles, o que levaria de São Paulo para Amsterdã o engenheiro Marcelo Braga, diretor de compras de uma empresa fabricante de componentes eletrônicos. A capital holandesa era a última escala antes de rumar para Xiamen, na China. Depois de um dia acomodado em um hotel em São Paulo, ele retornou na noite desta sexta-feira a Porto Alegre.
O voo estava marcado para sair de Guarulhos às 7h de quinta-feira. Ao chegar ao aeroporto, os passageiros foram informados que a viagem estava cancelada. O grupo foi dividido em dois ônibus e levado para um hotel, por conta da companhia aérea KLM.
“Tinha marcado uma reunião na segunda-feira. Me programei para chegar um dia antes com o objetivo de me adaptar melhor ao fuso horário. Com a demora, vi que a reunião tinha ido para o espaço”, diz Braga.
Para piorar, o colega que sairia da Alemanha também não conseguiu embarcar. Além da reunião, havia o projeto de visitar fornecedores em diferentes cidades durante duas semanas. A tentativa de encontrar assentos em uma rota alternativa, pela África do Sul, não deu em nada. Sem previsão para embarcar, o engenheiro da Epcos entrou em contato com a empresa e decidiu retornar para Porto Alegre. Perdeu a reunião e os compromissos de trabalho, mas já está em casa.
“Muitos europeus seguem hospedados em São Paulo”, relata.
Deve demorar pelo menos mais um dia para que eles possam viajar. A nuvem de cinzas causada pela erupção de um vulcão islandês prorrogou até sábado a paralisação do tráfego aéreo em boa parte da Europa. A previsão inicial indicava a liberação nesta sexta-feira.
Dezenove voos foram cancelados em São Paulo nesta sexta-feira
Até as 17 horas desta sexta-feira, 19 voos foram cancelados no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Do total de voos suspensos em São Paulo, havia 11 partidas e 8 chegadas.
Os destinos dos voos cancelados eram Paris (4), Londres (2), Munique (2), Amsterdã (1), Frankfurt (1) e Zurique (1), segundo informações da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) em São Paulo. Dentre as chegadas previstas para São Paulo, havia procedentes de Paris (4), Londres (2), Amsterdã (1) e Zurique (1). As empresas responsáveis pelos voos eram TAM, Air France, British Airways, KLM e Swiss.
No Rio de janeiro, até o mesmo horário, haviam sido cancelados 4 voos no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim. Dois eram partidas e tinham como destino Paris e Madri, sendo um da companhia Air France e um da Ibéria. As duas chegadas também eram procedentes dessas duas cidades e das mesmas empresas.
Céus europeus
A agência de tráfego aéreo Eurocontrol anunciou hoje que quase dois terços dos voos europeus foram cancelado nesta sexta-feira, já que a maior parte do espaço aéreo continuava fechado na Grã-Bretanha e em grandes partes das regiões central e norte da Europa. "Os céus estão totalmente vazios no norte da Europa", disse Brian Flynn, subdiretor de operações da Eucontrol, acrescentando que "haverá significativos distúrbios no tráfego aéreo amanhã".
A agência disse que cerca de 16 mil dos 28 mil voos diários europeus foram cancelados nesta sexta-feira, número duas vezes maior do que ontem. Apenas cerca de 120 voos transatlânticos chegaram aos aeroportos europeus, enquanto o número normal é de 300. Cerca de 60 voos entre a Ásia e a Europa também foram cancelados.
Funcionários de aviação disseram que o céu sobre a Inglaterra vai permanecer fechado para voos até pelo menos as 13h de sábado (9h em Brasília). A British Airways anunciou o cancelamento de todos os seus voos para os aeroportos de Londres na noite desta sexta-feira e sábado.
As restrições aéreas na Escócia e na Irlanda do Norte foram levantadas, e as autoridades de aviação irlandeses reabriram os aeroportos de Dublin e Cork. Na França, os aeroportos de Paris e de outras 20 localidades no norte da França vão permanecer fechados até pelo menos o meio-dia de sábado.
A Bélgica estendeu suas restrições a voos até a manhã de sábado. A Suíça, Eslováquia, Croácia e Hungria fecharam seus espaços aéreos e a Polônia estendeu sua zona de restrição para a maior parte do país.
Sobre o tráfego transatlântico, dos 300 voos previstos da América do Norte para a Europa esta sexta, apenas foram garantidos entre 100 e 120. A nuvem de cinzas "continua movendo-se para o leste e para o sudeste e seu impacto continuará durante pelo menos 24 horas", preveniu a Eurocontrol em um comunicado emitido em Bruxelas.
A paralisação do tráfego aéreo custa mais de US$ 200 milhões ao setor, segundo uma primeira estimativa "conservadora" da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).
Paradoxalmente, um dos poucos países onde o tráfego funcionava normalmente era a Islândia, onde fica o vulcão situado abaixo da geleira Eyjafjallajokull, que emana densas colunas de fumaça desde a sua erupção explosiva na quarta-feira passada.
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