Na BR 290, em Eldorado do Sul, no início da tarde desta quarta-feira, houve outro princípio de confusão, após um motorista não querer parar no bloqueio. Houve troca de socos e chutes. Separados pelos demais motoristas, o homem se afastou do grupo e seguiu viagem. No local, no final da manhã, um grupo decidiu bloquear uma das faixas da rodovia, ateando fogo em pneus. A passagem dos caminhões foi interrompida, o que provocou a formação de filas. Os demais veículos podiam seguir viagem sem problemas.
Foto: Guilherme Testa
No mesmo momento, outro grupo fazia ato em outro trecho da BR 290, desta vez em Gravataí, também abordando os caminhoneiros a aderirem aos protestos. Em Araricá, no Vale dos Sinos, na RS 239, os manifestantes decidiram na paralisar também veículos de carga menores, como o Fiorino, furgões e caminhonetes, o que gerou revolta de alguns motoristas.
Foram registradas algumas discussões e protestos. Em reposta, manifestantes aumentaram o tom e a pressão, com ameaças de depredação dos veículos. Um dos motoristas que se revoltou com a situação foi Eumar Mendes, de 54 anos. Ele transportava sola de calçados de Novo Hamburgo, quando foi parado na rodovia. Eumar disse concordar com o movimento, mas que precisava ir para casa. “Moro na região. Ontem (terça-feira) passei aqui e não fui parado. Se soubesse que seria, nem teria saído de casa”, reclamou, após discutir com um caminhoneiro que defendia a paralisação.
“Todo mundo tem que parar para eles verem quem manda no Brasil”, disse o homem, que não quis se identificar. Ao lado, outro motorista disse que o melhor era aguardar do que sofrer represálias. Anderson Biasibetti, de 21 anos, levada cerca de 300 cucas da padaria de Parobé para distribuir em municípios do Vale do Sinos. Porém, logo nas primeiras horas da manhã, foi parado no bloqueio. “Avisei e a orientação foi permanecer aqui, para evitar problemas”, desabafou.
Outros caminhoneiros também esperavam definições para poderem seguir viagem com tranquilidade. Na cidade de Três Cachoeiras, no Litoral Norte, o movimento ganhou apoio da comunidade, que se reuniu e ocupou as margens da BR 101. No local, há dezenas de caminhões parados, aguardando os desdobramentos da paralisação nacional. A mobilização na região teve início ainda na noite de domingo e também não tem previsão para terminar.
Segundo Nelson Quartinho, que tem auxiliado na mobilização, o movimento tem força na cidade porque há muitas famílias que têm o sustento da circulação dos caminhões. Os discursos e as reclamações entre os manifestantes eram similares. Os que atuam como autônomos têm tido dificuldade em custear todos os gastos em função da alta dos combustíveis, especialmente do diesel. Isso porque o combustível é um dos principais gastos. Já aqueles que trabalham como contratados também tem notado os impactos. Muitos empresários estão optando por não fazer serviços e manter os caminhões nas garagens pelo elevado custo.
Segundo os caminhoneiros, há trechos que praticamente os empresários saem no prejuízo, além de outros riscos, como danificações aos caminhões, pelas más condições das estradas, e os custos de pedágios.
Fiergs expressa preocupação
O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Gilberto Porcello Petry, expressa sua preocupação com a paralisação dos caminhoneiros. Segundo Petry as manifestações já trazem consequências para a indústria gaúcha, na medida que impedem mercadorias de chegarem aos seus destinos. No Rio Grande do Sul, a fábrica da General Motors, em Gravataí, suspendeu a produção na terça-feira, e os setores de laticínios, aves e suínos também começam a ser afetados.