Segundo a procuradora adjunta do município, Carolina Fisch, a prefeitura conseguiu liminar favorável para a retirada do comércio indígena. Porém, existe divergência de competência para cumprir a determinação entre Polícia Federal e Brigada Militar. O diretor de Ações Comunitárias e de Inclusão Social da Secretaria Municipal de Cultura, Paulo Pontes, destaca que a prefeitura recebe diversas reclamações sobre o comércio indígena e a principal queixa é relacionada ao comércio de produtos industrializados. Afirma que os caingangues estão vendendo itens que não têm a ver com a cultura deles.
Conforme Pontes, Gramado possui leis municipais que estão sendo descumpridas pelos índios. Além de o comércio ambulante ser proibido, existe legislação específica para os artesãos. Ele diz que a prefeitura sugeriu a ocupação de um terreno próximo ao Lago Negro e que o município tem projeto pronto, mas não houve acordo. Ressalta que a prefeitura está aberta ao diálogo.
Famílias indígenas de Porto Alegre, Farroupilha e Iraí ocupam a área. Segundo um representante, Éder Kinvan-fy, a prefeitura não quer cumprir acordos firmados. “Nós ficávamos no coreto da praça central. Depois, nos mandaram para a rodoviária e, agora, estamos no Lago Negro”, diz. Segundo ele, barracas foram derrubadas durante a madrugada. “Não estamos aqui porque queremos, mas porque precisamos.” Kinvan-fy reconhece que são comercializadas mercadorias industrializadas, além do artesanato indígena, mas afirma que os caingangues pagam impostos sobre tudo que vendem e não têm mais de onde tirar matéria-prima. Segundo ele, os índios sugeriram a construção de espaço coberto para o comércio artesanal no Lago Negro.