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Com a seca, produção de leite cai em Aceguá

Município conta com 10 mil cabeças de gado

Maria da Mota, que enchia três baldes de leite, hoje, não enche um
Maria da Mota, que enchia três baldes de leite, hoje, não enche um Foto : Tarsila Pereira
Dos 4,8 mil habitantes de Aceguá, na região Sudoeste do Estado, mais da metade vive no campo. No entanto, são os 1,2 mil agricultores familiares que sentem na pele o drama da seca. O maior prejuízo está na produção leiteira, que conta com 10 mil cabeças de gado. O rendimento do gado, que deveria chegar a 150 mil litros por dia, vem diminuindo a cada dia, segundo o secretário de desenvolvimento econômico do município, Willi Janzen. Desde dezembro, os 120 mil litros de leite diários captados pela Cooperativa Mista Acegua Ltda (Camal) caíram para 91 mil litros/dia. Considerando o preço médio de R$ 0,66/litro no município, a Camal soma um prejuízo diário aproximado de R$ 60 mil. De toda a produção leiteira do município, 90% é enviada à Cosulati, em Pelotas.

Um dos produtores cooperados é Júlio César Gonçalves. Ele possui oito vacas, e uma produção diária que deveria chegar a 105 litros de leite. Mas, na quarta-feira, entregou apenas 74 litros para a Camal. “Não há pasto, nem água no açude. Está ficando cada vez pior”. O produtor lamenta ainda não ter plantado as sementes de sorgo forrageiro que comprou prevendo o plantio em setembro. “Preparei a terra e, agora, só posso olhar para ela. Acho que vou guardar os 20 quilos de semente e o adubo para o ano que vem e esperar para plantar aveia em maio."

Já a produtora Maria da Mota cria quatro vacas leiteiras e já vê sua produção reduzir de 30 litros por dia para 10 litros/dia. “Antes saía com mais de um balde para tirar leite. Agora, não consigo encher um”. Todo o leite produzido é utilizado por Maria para a produção de queijos, o que garante a renda da família. “Antes, conseguia fazer dois queijos por dia. Hoje, é um a cada dois dias”.

A prefeitura de Aceguá avalia os danos e elabora laudos à Defesa Civil a fim de decretar situação de emergência até o início da próxima semana. No interior do município, falta água potável e um caminhão distribui 10 mil litros de água por dia.


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