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Com adesão parcial, Cpers aposta no debate nas escolas

Rejane de Oliveira disse que categoria usa a paralisação para explicar a mobilização

Cpers acampou em frente ao Palácio Piratini
Cpers acampou em frente ao Palácio Piratini Foto : Vinícius Roratto
Com uma adesão à greve calculada em 5% pela Secretaria da Educação, o Cpers/Sindicato tenta ampliar a paralisação debatendo com professores, pais e alunos, nas escolas. Segundo a entidade, a adesão ocorre principalmente em Livramento, na Fronteira Oeste, e em Cruz Alta, no Alto Jacuí. O Cpers ainda não divulgou um balanço parcial do número de escolas paralisadas.

Segundo a presidente da entidade, esta primeira semana é de uma “greve de debate”. “Nós achamos importante que esta greve possibilite o debate nas escolas e mostre as consequências que terá a educação se o projeto (de implantação do piso salarial para 2014) for aprovado”, afirmou.

A categoria reivindica a implantação imediata do piso, aprovado em 2008, de R$ 1.187. Hoje, o professor recebe R$ 790 para 40 horas semanais. Rejane criticou o fato de o governo do Estado ter se manifestado apenas para fragilizar o movimento e não apresentar nenhuma proposta nova para negociação. “Eles têm que parar de se concentrar em quantas escolas estão paradas, no percentual de grevistas e apresentar uma proposta nova para resolver o problema que eles mesmos criaram”, defendeu.

Interior do Estado


Em Bagé, na Fronteira Oeste, a Escola Estadual Carlos Kluwe, principal instituição de Ensino Médio do Interior do RS, com 1,5 mil estudantes, registrou o maior índice de paralisação de professores. Conforme o diretor, Cesar Palomeque, cerca de 90% dos 98 aderiram ao movimento.

Já a Escola Estadual Justino Quintana, a maior da região, com 1,7 mil estudantes desde o nível Infantil até o Ensino Médio, registrou um número muito baixo de adesões. De acordo com a vice-diretora do turno do dia, Arlete Garcia Batistella, pela manhã apenas uma professora de Educação Física, entre os 80 lotados no estabelecimento, aderiu à mobilização.

Na Serra, o Instituto Estadual de Educação Cristóvão de Mendoza, de Caxias do Sul, mantém a paralisação até quinta-feira, segundo a direção. No Vale do Taquari, o maior colégio da região – Escola Estadual Castelo Branco – em Lajeado, onde estudam cerca de 2 mil alunos, as aulas ocorrem normalmente hoje.

No Centro, em Santa Maria, a adesão é parcial e na maior escola da cidade, Manoel Ribas, professores trabalharam normalmente pela manhã. Na região Sul do Estado, a situação é a mesma. Em Pelotas, no Colégio Estadual Assis Brasil, as aulas foram mantidas.

No Litoral Norte, no Instituto Estadual Riachuelo, em Capão da Canoa, o expediente foi mantido. Em Agudo, Arroio do Tigre e em Cachoeira do Sul, as aulas ocorrem normalmente, segundo a Coordenadoria Estadual de Educação.

Governo nega reajuste

O secretário estadual de Educação, Jose Clovis de Azevedo, reafirmou hoje que não há possibilidade de reajuste do magistério e pagamento do piso nacional ainda em 2011. "Não há nenhuma possibilidade de êxito nessa paralisação", afirmou. Ele reuniu-se com a secretária-adjunta, Maria Eulalia Nascimento, e o governador Tarso Genro, pela manhã.

Estudantes mobilizam-se por aulas

Alunos da rede estadual de Ensino são contrários à greve, em decisão tomada durante o Congresso Estadual da União Gaúcha dos Estudantes Secundaristas (Uges), no sábado, em Canoas. "Consideramos a paralisação do Cpers/Sindicato uma decisão inoportuna, pois estamos no fim do ano letivo", disse o presidente da Uges, Talisson Silva.

A vice-presidente da União Nacional dos Estudantes Região Sul (UNE), Ana Lúcia Velho, ressaltou que a forma de construção da greve foi equivocada. "Em nenhum momento houve debate ou consulta aos estudantes", citou. Os alunos foram às escolas hoje para mobilizar professores a darem aula.

Com informações dos repórteres Ronaldo Berwanger e Jossicar Saraiva

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