Na noite de ontem, a reportagem viu quatro enterros sendo realizados depois do anoitecer no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste - na capital paulista, os enterros normalmente só são feitos até as 17 horas. Funcionários da limpeza, terceirizados, faziam às vezes de coveiros. Os familiares dos mortos eram convidados a colocar seus carros o mais próximo possível de onde ficariam as sepulturas, para poder iluminar o local.
Ninguém da administração apresentou justificativas. Os funcionários da limpeza disseram apenas que os enterros à noite foram uma forma de contornar "a fila" para sepultamentos. Como alguns casos já se estendiam havia dois dias, existia o risco de deterioração dos cadáveres. Em várias outras regiões da cidade, o cenário de atrasos era idêntico. Em alguns cemitérios, funcionários terceirizados chegaram a cavar covas em série para "adiantar o serviço".
Sem negociação
Os grevistas tomaram a decisão de seguir parados depois de não terem suas reivindicações atendidas pela administração municipal na manhã de ontem. Eles pedem 39,74% de reajuste salarial. A última proposta apresentada pela prefeitura foi de 15% de aumento no salário-base para a jornada de 40 horas, que passaria de R$ 545 para R$ 630.
Ontem, o prefeito Gilberto Kassab voltou a criticar o movimento e disse buscar soluções para o transporte de corpos para cemitérios da cidade, como a contratação de emergência de funcionários. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.