Familiares, amigos e personalidades se despediram neste domingo de Francisca Moreira Espinosa, chefe do Arquivo e Pesquisa de Jornais da Empresa Jornalística Caldas Júnior. Ela faleceu aos 86 anos na manhã de ontem depois de sofrer uma parada cardíaca no Hospital da Santa Casa de Porto Alegre. Com o uniforme que utilizava no Correio do Povo, ela foi sepultada no início da noite no Cemitério João XXIII.
Dona Chica, como era conhecida pelos colegas de trabalho e por pesquisadores e personalidades das áreas culturais, atuou desde 28 de fevereiro de 1950 na Caldas Júnior e depois Grupo Record. Ao todo, foram 60 anos dedicados ao arquivo de jornais da empresa.
Tinha especial predileção pelo Correio do Povo e era com extrema dedicação que cuidava das edições mais antigas, visando protegê-las de possíveis estragos e mantê-los em condições de pesquisa. “O Correio do Povo penetra no sangue da gente, pois aqui sempre houve um sentimento familiar, mesmo com as mudanças no comando, que aconteceram desde a saída do dr. Breno Caldas”, disse ela em março deste ano, quando completou 60 anos na função.
O mesmo sentimento era reconhecido pelos familiares. Segundo a amiga Zélia dos Santos, Dona Chica sempre dizia que a relação com o Correio do Povo era um verdadeiro casamento.
Colega lembra último dia
Com dedicação, o último dia de trabalho da Dona Chica foi quinta-feira passada. Segundo o colega William Keffer, ela sempre chegava cedo ao Correio do Povo. “Ela tinha carinho e muito zelo pelo material do arquivo. Dona Chica preservou a história do Rio Grande do Sul”, destacou ele. Keffer lembrou que ela já havia dado um susto aos colegas e familiares no início do ano, quando devido a complicações do diabetes e ficou internada durante dois meses.
Galvani destaca qualidades
O jornalista e escritor Valter Galvani ficou sabendo bem cedo da morte da amiga e fez uma homenagem em seu blog. Ele a chamava de Chica e eram muito chegados, ambos apaixonados pelo Correio do Povo e pela pesquisa. “Pois, a Chica do Correio do Povo partiu. Para novas missões no astral, por certo”, afirmou Galvani.
Presente ao velório, Galvani destacou da facilidade de escrever sobre ela. Conforme o ex-patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, a dificuldade foi a perda da amiga e de um “baluarte da seriedade e da dedicação ao seu trabalho, a competência desenvolvida ao longo dos anos, lealdade aos conceitos que aprendeu como justos, amor pelos seus amigos”, disse.
Com homenagem dos amigos, dona Chica é sepultada
Francisca Moreira Espinosa trabalhou por 60 anos na Empresa Jornalística Caldas Júnior