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Com portas fechadas em todo o RS, lojas de revendas de carros temem maior prejuízo nas vendas

Algumas lojas apostaram na internet para seguir comercializando durante a pandemia

Com as novas restrições impostas pela bandeira preta - que proíbe o comércio de veículos, o comércio atacadista e varejista não essenciais -, as revendas de automóveis voltaram a fechar as portas para atendimento presencial. O setor, que contabilizou perdas no ano passado por conta dos efeitos da pandemia do coronavírus, enfrenta novamente restrições para funcionamento. Em função das limitações do novo decreto, muitos proprietários de revendas intensificam ações em sites, redes sociais e atendimento via telefone.

Proprietário de uma revenda de veículos na Zona Norte, Gerson Hubermann explica que as restrições impostas pela bandeira preta do modelo de distanciamento controlado impedem o atendimento presencial dos clientes. A alternativa é reforçar as ações em redes sociais e atendimento via telefone. Com a experiência de quem já enfrentou fechamentos em abril, junho e agosto do ano passado, por conta da restrição do funcionamento de serviços não essenciais, Hubermann sentiu o impacto da pandemia nos negócios e dispensou dois funcionários no final de 2020. "Um deles trabalhava há mais de dez anos com a gente. E outro há quatro", frisa

Para contornar a crise, Hubermann agora conta apenas com a ajuda do filho para tocar a revenda. Ele critica a decisão do governo e diz que a medida atinge em cheio o segmento. "Já afetou (negócios), estou com a loja fechada, não consigo atender o público. Mas as filas nos bancos e nos supermercados continuam as mesmas", observa. Ele afirma que o fechamento da revenda não vai impactar na saúde, uma vez que a loja recebe em média três clientes por dia. "Não vai resolver nada, os ônibus estão passando lotado aqui hoje (ontem)", assinala. Ele afirma que no final de dezembro a revenda 'conseguiu dar uma respirada boa', mas o fechamento pode frear a recuperação.

Na avaliação de Hubermann, o governo está atacando do lado errado. "É preciso verificar onde tem aglomeração, festas noturnas. Bancos, supermercados e praças estão sempre lotados. E agora parece que o pessoal perdeu medo da pandemia, mesmo sabendo que não tem mais vagas nos hospitais", observa. Dono de uma revenda também na Zona Norte, Carlos Alberto da Silva destaca as dificuldades enfrentadas desde o ano passado e projeta diminuição de custos para manter o negócio. "A redução do lucro vai ser muito grande. Um carro a gente não consegue entregar pelo correio. Não adianta ter exposto (o modelo) na internet", observa. Ele defende critérios diferentes para o comércio. "Não temos acúmulo de clientes, aglomerações. Dificilmente atendemos clientes ao mesmo tempo", afirma.

O negócio iniciado há mais de quatro décadas pelo pai Carlo já passou por outras crises econômicas, mas reconhece que poucas foram tão agudas quanto a atual. "Mesmo com tudo isso se vendia igual, se ajustava ao comércio e seguia vendendo. Essa é bem diferente, porque a última coisa que a pessoa pensa agora é em trocar de carro. Então é bem complicado", afirma. Ele ressalta que atualmente 95% das negociações para vendas de veículos 'são online'. "Por mais que alguém queira comprar um automóvel, não tenho como entregar documentos e veículo sem atendimento físico, pois é preciso resolver a papelada em cartórios. Pode até começar venda online, mas precisa da parte física para concluir", destaca.

O Sindicato Intermunicipal dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Estado do Rio Grande do Sul (Sincovid/RS) afirma que é importante respeitar a legislação e as novas determinações do decreto. A entidade informa que apoia o controle efetivo de questões sanitárias em meio à pandemia, mas reforça que as empresas precisam produzir e as pessoas necessitam trabalhar para garantir sustento. Presidente do Sincovid/RS, Paulo Siqueira explica que a alternativa é reforçar o trabalho de telemarketing e as vendas remotas. "Gostaríamos que a comercialização de veículos e as atividades de concessionárias fossem consideradas atividades essenciais", observa.