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Começa a cair número de atingidos por cheias no RS

Balanço da Defesa Civil aponta que 3 mil estão desabrigados e mais de 6 mil desalojados

Número de atingidos pelas cheias começa a cair
Número de atingidos pelas cheias começa a cair Foto : Vanessa Silva / Especial CP
Começou a diminuir nesta quarta-feira o número de pessoas atingidas pelas enchentes que castigaram o Rio Grande do Sul nos últimos dias. De acordo com balanço divulgado às 18h pela Defesa Civil do Estado, 9.986 gaúchos foram afetados pelas cheias. O número de desabrigados (sem moradia) chega a 3.069 e de desalojadas (em casa de parentes e amigos) alcança 6.916. 

O número de municípios gaúchos afetados, porém, subiu para 33 em relação ao balanço da manhã. A cidade mais prejudicada é Novo Hamburgo, com 600 desabrigados e 3 mil desalojados. As cheias também seguem em 11 rios. Três pessoas morreram em decorrência da chuvarada e uma ficou ferida.

Vale dos Sinos

A região do Vale dos Sino, vive a pior enchente dos últimos 50 anos. Em 1965, quando quase 5 mil pessoas precisaram deixar suas casas com a cheia do rio Sinos, São Leopoldo ainda não contava com o auxílio dos diques, que ajudam a represar a água do rio. As estruturas começaram a ser erguidas na década de 1970 e compreendem 24,512 metros de proteção ao redor do manancial.

O nível do Sinos ainda apresentava elevação nesta manhã, chegando a 7,90 m na cidade. A situação fez com que equipes do Serviço Municipal de Água e Esgotos (Semae) desligassem o conjunto de bombas que leva água bruta para a Estação de Tratamento de Água da Imperatriz Leopoldina, a exemplo de Novo Hamburgo.

Conforme o diretor do Semae, Gerson Luis de Borba, havia risco da água danificar os equipamentos. “A água poderia inundar os painéis, por isso tomamos esta decisão”, explica. A ação fez com que o abastecimento de água fosse interrompido nos bairros da Zona Leste, Oeste e Norte da cidade. Apenas o Centro e zona Sul ainda era reabastecidos, pois a Estação de Tratamento que abastece o Centro e a zona Sul, não foi desativa, já que está em um local mais elevado e por isso ainda fora do risco de ser atingido pelo nível do rio.

Na terça-feira, o Semae já havia reduzido em 30% a captação. Borba salienta que o Hospital Centenário, os postos de saúde e as escolas do município têm prioridade no abastecimento. “Solicitamos aos nossos usuários que reservem e economizem água”, conta. A previsão do Semae é que de o sistema volte a operar normalmente na noite de hoje, já que o nível do Sinos, começou a se estabilizar por volta das 15h.

Em função da falta de água, as aulas nas escolas municipais e estaduais de São Leopoldo estão suspensas desde o meio-dia de quarta-feira. A cheia do Rio dos Sinos também provocou congestionamentos de sete quilômetros nos dois sentidos da BR-116. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a curiosidade fazia com que os motoristas diminuíssem a velocidade para olhar o Sinos, que estava a apenas 2 metros de inundar a rodovia.

Em Novo Hamburgo, a situação é parecida. O Sinos alcançou 8,48 metros às 16h, quando começou a estabilizar. Os registros estavam concentrados nos bairros Lomba Grande, que ficou coberto pelo rio, e Santo Afonso, que foi inundado pelo arroio Luiz Rau. Na rua Minuano, o Corpo de Bombeiros utilizou um caminhão, um barco e uma retroescavadeira para retirar cinco crianças de uma residência. Segundo uma vizinha, a mãe havia ido trabalhar e os menores ficaram sozinhos, enquanto a casa era tomada pela água.

Municípios atingidos:

Alvorada
Arroio do Meio
Bento Gonçalves
Bom Retiro do Sul
Cachoeirinha
Canoas
Colinas
Cotiporã
Cruzeiro do Sul
Eldorado do Sul
Encantado
Esteio
Estrela
Gravataí
Igrejinha
Lajeado
Montenegro
Nova Santa Rita
Novo Hamburgo
Parobé
Porto Alegre
Salvador do Sul
Santa Cruz do Sul
Santo Antônio da Patrulha
São Francisco de Paula
São Jerônimo
São Leopoldo
São Sebastião do Caí
Taquara
Taquari
Triunfo
Vale Real
Venâncio Aires

Cheia dos rios:

Antas
Arroio Feijo
Arroio Pampa
Arroio Sapucaia
Caí
Gravataí
Jacuí
Paranhana
Santa Clara
Sinos
Taquari

Imagem mostra gravidade da enchente

A melhora do tempo permitiu ter ideia da dimensão das enchentes a partir do que se vê do espaço. Na imagem abaixo, a MetSul Meteorologia comparou a diferença do cenário a partir de foto do satélite ambiental da NASA do dia 25 de julho com uma desta quarta-feira. A situação é mais crítica nas bacias do Gravataí, Caí e Sinos. O Jacuí, principal contribuinte do Guaíba, está mais cheio perto de Porto Alegre assim como o Taquari. 



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