Diante da sujeira e do cenário de caos, muitos comerciantes cobraram uma ação mais rápida da Brigada Militar (BM) em relação à repressão contra os atos de vandalismo ao invés de ficarem longe do grupo, o que teria ocorrido na avenida Ipiranga.
Em uma loja automotiva, o dono lamentava prejuízos em torno de R$ 10 mil. O comerciante Antônio Carlos Gonçalves constatou o furto, sobretudo, de baterias. Para entrar, os vândalos arrombaram uma cortina de ferro. Uma tela LCD de computador e uma impressora foram quebradas, mas um Fiat Uno e uma caminhonete Montana escaparam ilesos.
O empresário assistiu pela televisão o que fizeram com a loja. “A sensação foi de impotência e de muito nervosismo”, desabafou, lembrando que paga impostos muito altos para não ter tido segurança. “A BM não agiu por alguma orientação superior. Por quê não vieram para cá?”, questionou ele, antecipando que reforçará a proteção externa do estabelecimento.
A comerciante responsável por um outra loja automotiva da região também relatou preocupação e medo com as novas manifestações. “Essa região precisa ser mais protegida. Eles não conseguiram entrar aqui por pouco”, relatou Greice Leal, não escondendo o receio com a realização de outros protestos.
Danos em lojas e bancos
Apesar da leve chuva que cai sobre Porto Alegre nesta sexta, o dia é de limpeza dos estragos pelas ruas da Capital. No cruzamento com avenida Ipiranga, uma loja de motos foi novamente alvo de pedradas. Os tapumes de madeira que haviam sido colocados pelos proprietários, inclusive com declarações de apoio às manifestação pacíficas, foi coberto de pichações. Vários vidros das janelas foram quebrados por pedras.
Na mesma região, uma papelaria também não escapou de ser invadida e saqueada, assim como um restaurante, localizado logo ao lado. No Centro Comercial João Pessoa os estragos e danos eram evidentes, em função das vidraças quebradas espalhadas pelo chão. Os diretórios municipais do PMDB e do PT também foram atingidos.
Um dos locais mais danificados foi a agência bancária do Banrisul, na avenida João Pessoa. Além da depredação, dois caixas eletrônicos não escaparam da ação dos baderneiros. A agência do Banco do Brasil, na rua Venâncio Aires, também foi atacada e teve os vidros quebrados.
Já no Centro, na Esquina Democrática, uma banca de revistas teve a fachada danificada, mas o interior dela não foi invadido, para alívio do proprietário, Renildo dos Santos Deport. Ele lamentou a desordem “Isto não é democracia”, assegurou.
Nas proximidades, na avenida Borges de Medeiros, uma loja de malas e bolsas e uma outra de calçados foram atacadas, porém, não ocorreram saques, ficando apenas as cortinas de ferros danificadas e os vidros quebrados. No mesmo trecho, uma agência do Santander teve as vidraças estilhaçadas. A Caixa Econômica Federal, na avenida Salgado Filho, também atraiu a ira dos vândalos.
A estimativa da BM é de que cerca de 250 vândalos foram responsáveis pela onda de depredações durante a manifestação. Apesar da chuva e frio, o ato público reuniu em torno de 20 mil pessoas pelas ruas da cidade.