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Comerciantes do Mercado Público querem juro menor

Associação avalia que crédito oferecido pelo Banrisul deveria ter carência superior a 12 meses

Associação argumenta que destruição em pontos do segundo andar foi total
Associação argumenta que destruição em pontos do segundo andar foi total Foto : Ivo Gonçalves/PMPA/Divulgação CP
O presidente da Associação dos Permissionários do Mercado Público, Ivan Konig, considera insuficiente as condições da linha de crédito anunciada na segunda-feira pelo Banrisul, que tem como objetivo auxiliar os comerciantes a restabelecer sua atividades. O banco ofereceu juros de 0,95% ao mês e prazo de pagamento de 60 meses, com carência de 12.

“O juro é muito alto pela tragédia que houve. Acredito que temos que ter uma linha de crédito com taxa de 0,2%, no máximo 0,3%”, afirmou Konig. Ele tem esperança de que outra proposta poderá ser apresentada. “Acredito que o governo do Estado vai se sensibilizar com isso, assim como o governo federal, e que vamos ter linhas de crédito com juros menores”, observou.

Só assim, segundo ele, será possível que os comerciantes recomponham o seu patrimônio e possam honrar seus compromissos financeiros. “No segundo piso, todos os restaurantes foram danificados. Não sobraram nem talheres”, enfatizou.

Na avaliação de Konig, a carência poderia ser maior do que a anunciada pelo governo do Estado. “Não adianta dar carência de 12 meses porque vai ter inadimplência”, acredita. Ele diz que o período é muito curto para que as atividades sejam restabalecidas normalmente. “Não tem como tu pagares uma prestação sem ter recursos”, acrescentou.

O Mercado Público

Inaugurado em outubro de 1869, o Mercado Público de Porto Alegre foi criado para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. O local foi tombado como bem cultural em 1979 e passou por um processo de restauração entre os anos 1990 e 1997, o que garantiu ao lugar um espaço maior aos estabelecimentos comerciais, mas sempre manteve a concepção arquitetônica original.

O incêndio desse sábado não foi o primeiro enfrentado pelo Mercado Público. Em 1912, um sinistro destruiu os chalés internos. Em 1941, uma enchente atingiu o local e, 38 anos mais tarde, mais dois sinistros destruíram as dependências do estabelecimento que serve como cartão postal de Porto Alegre. O prédio chegou a ser ameaçado de demolição durante a administração de Telmo Thompson Flores. Na época, era cogitada a construção de uma avenida na área.

Na década de 90, quando passou por reforma, o Mercado Público recuperou a percepção visual das arcadas. O trabalho resgatou as circulações internas, criou novos espaços de convivência e implantou redes de infraestrutura compatíveis com o funcionamento do prédio. A nova cobertura que possibilitou a integração entre o térreo e o segundo pavimento.

No segundo pavimento, onde antes existiam escritórios e repartições públicas, diversos estabelecimentos como restaurantes e lancherias passaram ocupar o espaço e ganharam um lugar no Mercado Público.

Com nova infraestrutura, o cartão postal de Porto Alegre ganhou também um Memorial, além de duas escadas rolantes e dois elevadores. O custo da reforma ficou, na época, em R$ 9 milhões, sendo, 88% do orçamento da Prefeitura, e os demais 12% pelo Fundo Municipal do Mercado Público e doações diversas.

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